Completar mais um ano sem troféu seria um enorme baque para o gigante madrilenho, colocando em xeque a credibilidade de Zinedine Zidane como treinador.
O ex-craque francês assumiu o comando do time em janeiro, depois da demissão de Rafael Benítez, e nem mesmo sua aura de ídolo dos campos poderá amenizar a ira da torcida em caso de eliminação.
O Real mantém até chances remotas de conquistar o título nacional, por ter apenas quatro pontos a menos que o líder Barcelona, mas a 'undécima', a 11ª 'Taça Orelhuda' da Champions, é sem dúvidas o grande objetivo do recordista de títulos europeus.
A última semana foi uma montanha russa de emoções para os 'merengues', que foram da euforia da grande vitória por 2 a 1 em pleno Camp Nou no clássico contra os catalães, no dia 2 de abril, à desilusão da derrota para os 'Lobos' na Alemanha.
No último sábado, 'Zizou' poupou vários titulares, mas deixou o astro Cristiano Ronaldo em campo na goleada de 4 a 0 sobre o Eibar.
O português tornou-se o primeiro jogador da história a marcar ao menos trinta gols em seis temporadas seguidas da Liga Espanhola e devolveu confiança à torcida.
- 'Remontadas históricas' -
De fato, o Real é muito mais eficiente quando joga em casa e tem potencial para vencer pelo mesmo placar nesta terça-feira, embora o Wolfsburg seja um adversário bem mais complicado que o pequeno time basco.
Mas Zidane confessou gostar dessas situações desafiadoras, que redobram sua motivação, como nos seus tempos de jogador.
"Como vivo isso como treinador, estou um pouco mais tenso, mas não deixo de encarar isso com entusiasmo. Quando as coisas se tornam mais complicadas, sempre podemos fazer grandes coisas aqui no Bernabéu", afirmou o francês depois da vitória de sábado.
O Real de 'Zizou' pode se espelhar em outras 'remontadas' históricas do clube em competições continentais.
Uma das mais marcantes foi na temporada 1975-1976, contra o Derby County (derrota por 4 a 1 na ida e vitória por 5 a 1 na prorrogação).
Também houve outra virada épica contra a Inter de Milão (0-2 e 3-0, em 1984-1985, ou na temporada seguinte, contra o Borussia Moenchengladbach (1-5 e 4-0). Outro episódio memorável foi contra o Bayern de Munique, em 2002 (1-2 e 2-0), com o próprio Zidane jogando como titular.
"É um desafio complicado, mas é muito mais bonito vencer em situações adversas, deixa tudo mais emocionante. O clube sempre foi assim, sempre conseguiu 'remontadas' extraordinárias no Bernabéu", resumiu 'Zizou' na entrevista coletiva desta segunda-feira.
- 'Espírito de Juanito' -
Para conseguir mais uma virada, o Real terá que invocar mais uma vez o "espírito de Juanito", grande ídolo na década de 1980, autor da famosa frase "noventa minutos no Bernabéu são muito longos".
Não é à toa que a torcida sempre canta, no sétimo minuto de cada partida, "Illa, Illa, Juanito Maravilla", em referência ao número da camisa do atacante, que morreu em 1992, em acidente de carro.
"Espero que teremos uma noite mágica, estou muito confiante", avisou Cristiano Ronaldo, o novo dono da camisa 7 de Juanito.
Mas além do caráter místico e sempre imprevisível dessas grandes partidas, os 'Merengues' terão que lidar com o frio pragmatismo alemão dos 'Lobos', que mostraram-se letais no contra-ataque, com participação decisiva do brasileiro Bruno Henrique, grande surpresa na escalação da partida de ida.
Na ocasião, oito jogadores nascidos no Brasil participaram da partida, quatro de cada lado: Marcelo, Casemiro, Danilo e Pepe (naturalizado português) do lado do Real; Bruno Henrique, Luiz Gustavo e a dupla de zaga Dante-Naldo do lado do Wolfsburg.
É provável que Danilo perca a vaga de titular, já que teve atuação desastrosa no primeiro jogo, deixando avenidas para o talentoso meia Julian Draxler no lado direito da defesa do Real.
"Temos que jogar nosso próprio jogo para tentar surpreender", avisou o francês Josuha Guilavogui, que foi o dono do meio de campo na última quarta-feira.
"Sabemos que o Real Madrid é um mito, conhecemos o Bernabéu e sabemos que impõe respeito, mas acho que também ganhamos respeito na partida de ida. Se compararmos a história dos dois clubes, sabemos quem é o favorito, mas nosso papel é justamente acabar com esse favoritismo", resumiu o técnico alemão Dieter Hecking
- Prováveis escalações:
Real Madrid: Keylor Navas - Carvajal, Pepe, Ramos, Marcelo - Modric, Casemiro, Kroos - Bale, Benzema, Cristiano Ronaldo.
T: Zinédine Zidane (FRA)
Wolfsburg: Benaglio - Vieirinha, Naldo, Dante, Rodriguez - Luiz Gustavo, Guilavogui, Arnold - Bruno Henrique, Draxler - Schürrle.
T: Dieter Hecking
Árbitro: Viktor Kassai (HUN)