Funcionário do departamento de saúde atende jovem paciente em Kenema em 15 de novembro de 2014 Funcionário do departamento de saúde atende jovem paciente em Kenema em 15 de novembro de 2014

Uma mulher que morreu em Serra Leoa pode ter sido vítima do vírus Ebola, informou nesta quinta-feira um porta-voz do governo, horas após a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarar o fim da epidemia na África Ocidental.

Segundo o porta-voz do governo, Abdulai Bayraytay, a "possível morte por Ebola" foi detectada na cidade de Magburaka, no distrito de Tonkolili.

Um alto funcionário do ministério da Saúde confirmou a informação e precisou que espera os resultados de novas análises, na sexta-feira, após um resultado positivo para Ebola entregue nesta quinta.

Depois do resultado positivo, uma equipe formada por responsáveis de saúde de Serra Leoa, da OMS e do centro americano de controle e prevenção de enfermidades foi enviada ao local para realizar uma "investigação intensiva".

Segundo o funcionário do ministério da Saúde, a vítima seria uma estudante, que ficou doente na localidade de Baomoi Luma, distrito de Kambia, na fronteira com a Guiné, de onde foi levada por terra para Magburaka, onde faleceu.

A OMS anunciou oficialmente nesta quinta-feira o fim da epidemia de ebola na África Ocidental, ao declarar a Libéria, o último país afetado, livre da doença, que matou mais de 11.000 pessoas em dois anos.

A epidemia foi declarada em dezembro de 2013 no sul da Guiné e depois se propagou rapidamente para a Libéria e Serra Leoa, os três países mais afetados, depois de atingir em menor escala a Nigéria e o Mali.

Em dois anos afetou 10 países, incluindo Espanha e Estados Unidos, e, oficialmente, provocou a morte de 11.315 dos 28.637 contagiados. Este balanço de vítimas é superior ao de todas as epidemias de ebola acumuladas desde a identificação do vírus no centro da África em 1976.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, advertiu na quarta-feira que se preveem novos focos da doença "nos próximos anos", embora seu alcance e a frequência "deve diminuir com o tempo".

Nos piores momentos da epidemia, os países mais afetados temeram o colapso.

"Alguns dias recolhíamos mais de 40 ou 50 corpos", lembra na Libéria Naomi Tegbeh, sobrevivente que se encarregava dos cadáveres mais contagiosos.

O centro anti-ebola da ONG Médicos Sem Fronteiras em Monróvia teve que duplicar sua capacidade de acolhida, mas no ápice da epidemia se viu obrigado a recusar pacientes por falta de lugar.

A doença transformou o modo de vida dos países afetados, cujos habitantes foram obrigados a evitar qualquer contato físico entre eles e com os mortos. A proibição foi muito resistida por parte da população, apegada aos ritos funerários que implicam em lavar o corpo dos mortos.

Em outubro de 2014, o governo da Libéria teve que emitir a drástica ordem de incinerar todos os cadáveres, independentemente da causa da morte: "Queimem todos".

Os serviços de saúde, sobrecarregados pela catástrofe, multiplicaram as medidas de exceção - como decretar a quarentena em regiões inteiras.

Em alguns lugares a população se rebelou violentamente contra medidas de prevenção mal explicadas e decisões percebidas como autoritárias.

As manifestações mais violentas foram registradas na Guiné, país onde existe uma grande desconfiança entre o poder e a população, e culminaram com a morte em setembro de 2014 de uma equipe de sensibilização em Womey, no sul, epicentro original da epidemia.

A ONG Médicos Sem Fronteiras pediu que lições sejam tiradas da crise sanitária. A mobilização "não somente se viu limitada pela falta de meios internacionais, mas também pela falta de vontade política para enviar ajuda rapidamente", destacou a presidente do MSF, Joanne Liu, em comunicado.

Sporaga.com, diversão para fãs de futebol que respiram esporte 24 horas por dia. Sporaga, símbolo de paixão e amor ao jogo.

Cadastre-se hoje com o código promocional "Play2Win" e Ganhe US$3 + envie US$3 para cada amigo e ganhe US$1 para cada cadastrado.