A Arábia Saudita havia reagido com irritação à decisão da ONU de incluir a coalizão na lista dos violadores dos direitos humanos após determinar que era responsável por 60% das 785 crianças mortas no Iêmen no último ano.
Esse valor de 60% "é muito exagerado", enfatizou o diplomata e embaixador saudita na ONU, Abdullah al-Mouallimi. "Podem existir danos colaterais de tanto em tanto, mas isso é o que acontece na guerra", acrescentou.
O diplomata havia vislumbrado que a publicação do informe poderia colocar em risco as conversas de paz em curso no Kuwait entre o governo do Iêmen, apoiado pela coalizão e pelos rebeldes xiitas huthis.
"Pedimos que o relatório seja corrigido imediatamente para que não reflita as acusações contra a coalizão e a Arábia Saudita em particular", havia assinalado o embaixador.
Os rebeldes do Iêmen que ocuparam a capital Sanaa em setembro de 2014 (que combatem a coalizão) também foram incorporados à lista de violadores dos direitos das crianças publicada na quinta-feira pela ONU, que detalha crimes em 14 países.
Dujarric explicou que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, "não colocava no mesmo patamar as ações de membros da coalizão com a de grupos terroristas".
No entanto, acrescentou, "é importante que não se esqueça das vítimas" civis durante o conflito.
Dujarric adicionou que Ban terá que levar em conta toda "informação nova" dada pela coalizão e por Riad, quando for formalmente apresentado o relatório ao Conselho de Segurança.
A coalizão liderada pela Arábia Saudita lançou em março de 2015 uma campanha de ataque aéreos contra as zonas controladas pelos rebeldes na capital do Iêmen e de outras zonas do país.
O documento da ONU sobre as violações aos direitos das crianças adverte que "a situação no Iêmen é particularmente preocupante com a multiplicação por cinco do número de crianças recrutadas (por grupos armados) e por seis das crianças mortas e mutiladas em comparação a 2014".