Crianças observam prédios destruídos após ataque da coalizão liderada pela Arábia Saudita, em Sanaa, no dia 23 de março de 2016 Crianças observam prédios destruídos após ataque da coalizão liderada pela Arábia Saudita, em Sanaa, no dia 23 de março de 2016

A ONU decidiu nesta segunda-feira, pressionada pela Arábia Saudita, retirar provisoriamente a coalizão militar liderada por Riad de uma lista negra pela morte de centenas de crianças no Iêmen.

A ONU e Riad revisarão conjuntamente o conteúdo do relatório que acusa a coalizão, disse o porta-voz Stéphane Dujarric.

A Arábia Saudita havia reagido com irritação à decisão da ONU de incluir a coalizão na lista dos violadores dos direitos humanos após determinar que era responsável por 60% das 785 crianças mortas no Iêmen no último ano.

Esse valor de 60% "é muito exagerado", enfatizou o diplomata e embaixador saudita na ONU, Abdullah al-Mouallimi. "Podem existir danos colaterais de tanto em tanto, mas isso é o que acontece na guerra", acrescentou.

O diplomata havia vislumbrado que a publicação do informe poderia colocar em risco as conversas de paz em curso no Kuwait entre o governo do Iêmen, apoiado pela coalizão e pelos rebeldes xiitas huthis.

"Pedimos que o relatório seja corrigido imediatamente para que não reflita as acusações contra a coalizão e a Arábia Saudita em particular", havia assinalado o embaixador.

Os rebeldes do Iêmen que ocuparam a capital Sanaa em setembro de 2014 (que combatem a coalizão) também foram incorporados à lista de violadores dos direitos das crianças publicada na quinta-feira pela ONU, que detalha crimes em 14 países.

Dujarric explicou que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, "não colocava no mesmo patamar as ações de membros da coalizão com a de grupos terroristas".

No entanto, acrescentou, "é importante que não se esqueça das vítimas" civis durante o conflito.

Dujarric adicionou que Ban terá que levar em conta toda "informação nova" dada pela coalizão e por Riad, quando for formalmente apresentado o relatório ao Conselho de Segurança.

A coalizão liderada pela Arábia Saudita lançou em março de 2015 uma campanha de ataque aéreos contra as zonas controladas pelos rebeldes na capital do Iêmen e de outras zonas do país.

O documento da ONU sobre as violações aos direitos das crianças adverte que "a situação no Iêmen é particularmente preocupante com a multiplicação por cinco do número de crianças recrutadas (por grupos armados) e por seis das crianças mortas e mutiladas em comparação a 2014".

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