O ministro do Interior da França, Bernard Cazeneuve O ministro do Interior da França, Bernard Cazeneuve

As autoridades francesas anunciaram nesta terça-feira ter impedido um atentado contra as forças de segurança na semana passada na região de Orleans, no centro do país.

"Um projeto de atentado contra representantes da força pública na região de Orleans foi frustrado na semana passada pela DGSI", serviços internos de inteligência, declarou o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, a policiais e gendarmes.

Duas pessoas foram interrogadas e acusadas em 19 de dezembro no âmbito deste caso, informou.

Segundo o ministro, tratam-se de dois franceses, "um de 20 anos, desconhecido dos serviços da polícia, e outro de 24 anos, conhecido por atos de delinquência".

Fontes policiais em Paris informaram que os detidos eram de origem marroquina e togolesa, respectivamente.

Segundo Cazeneuve, ambos estavam "em contato com um jihadista francês presente na Síria sobre quem a investigação deverá determinar se era o cérebro dos ataques que um dos dois detidos admitiu ter projetado". O atentado frustrado estava dirigido a "militares, gendarmes, policiais e representantes do Estado".

"As detenções são o resultado do trabalho minucioso de nossos serviços de inteligência e eleva a dez o número de atentados frustrados em território nacional desde 2013", assegurou o ministro.

Cazeneuve disse, ainda, que a França rejeitou a entrada de 3.414 pessoas no país desde os atentados de 13 de novembro, em Paris, que provocaram o estado de emergência.

Estas pessoas tiveram negada sua entrada em território francês "devido ao risco que representavam para a segurança e a ordem pública", explicou.

A polícia francesa prepara uma grande operação de recrutamento e exames em março, para alcançar o objetivo governamental de contar com mais 5.000 agentes em formação no ano que vem.

A França adotou o estado de emergência após os piores atentados cometidos em seu território, que deixaram 130 mortos. Até agora, suas forças policiais realizaram "2.898 revistas administrativas" e detiveram 346 pessoas, das quais 51 foram para a prisão.

Este estado de emergência, que suscita críticas crescentes na esquerda, pode ser contestado ante o Conselho Constitucional francês.

O organismo, a mais alta jurisdição francesa, informou na terça-feira que o texto da lei que permite as prisões domiciliares é "conforme a Constituição".

Nesta linha, o governo socialista se prepara para aprovar na quarta-feira um projeto de reforma da Constituição para "blindar" este estado de emergência, que passaria a fazer parte do texto fundamental do Estado.

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