Zinedine Zidane, o novo técnico do Real Madri, chega para coletiva de imprensa, em Madri, no dia 4 de janeiro de 2016 Zinedine Zidane, o novo técnico do Real Madri, chega para coletiva de imprensa, em Madri, no dia 4 de janeiro de 2016

Com seu talento com a bola no pé, Zinedine Zidane fez do futebol uma arte. Depois de uma carreira espetacular de jogador, o ex-craque francês aceitou nesta segunda-feira um novo desafio, ao se tornar o maestro da orquestra, no comando do Real Madrid.

Pela experiência acumulada como atleta e como treinador do time B 'merengue', 'Zizou' sabe como a banda toca, mas nem sempre grandes ídolos fazem grandes técnicos.

Aos 43 anos, o francês terá a dura missão de se mostrar à altura de uma trajetória excepcional nos gramados (1988-2006), que teve como auge a conquista do título mundial com a seleção francesa, em 1998, e terminou de forma amarga, com a expulsão pela cabeçada em Materazzi na final da Copa de 2006.

Carrasco do Brasil na decisão de 1998, Zidane tornou-se de vez uma lenda do futebol, conquistando a Bola de Ouro naquele ano.

Depois de conquistar mais um título com os Bleus, a Eurocopa de 2000, o astro foi contratado pelo Real Madrid em 2001, e no ano seguinte marcou um gol antológico na final da Liga dos Campeões, a nona da história do clube.

No comando de um time 'merengue' marcado por tensões no vestiário, 'Zizou', conhecido por ser um homem tímido e de poucas palavras, terá que exercer fora de campo a liderança natural que resplandecia no gramado.

De 'Yazid' a 'Zizou'

Filho de imigrante argelino, 'Yazid', como era chamado na juventude, nasceu nos bairros pobres do norte de Marselha.

Fã do uruguaio Enzo Francescoli, craque do Olympique local, o adolescente já mostrava técnica das mais apuradas, mas suas limitações físicas freavam o interesse dos principais clubes da região.

Quem estendeu a mão ao rapaz franzino foi Jean Varraud, seu 'pai espiritual', que o indicou para as categorias de base do Cannes, onde estreou na primeira divisão francesa em maio de 1989, aos 16 anos.

Depois de despontar como grande promessa, o meia foi para um clube de maior prestígio, o Bordeaux, onde viu seu jogo evoluir, sob o comando de Rolland Courbis.

Outro técnico que mudou a vida de Zidane foi Aimi Jaquet, que o convocou pela primeira vez para a seleção francesa em 1994, antes de montar o esquema de jogo dos 'Bleus' em torno dele na Eurocopa-2016.

Como todos sabem, a aposta foi mais do que acertada. Com os dois gols de cabeça que marcou contra o Brasil na final da Copa do Mundo (3-0), no dia 12 de julho de 1998, o craque virou herói nacional.

Na comemoração do título, cerca de um milhão de pessoas gritavam 'Zizou, presidente' na famosa avenida Champs-Elysées, em Paris, com sua imagem projetada sobre o Arco de Triunfo.

Muito mais que um astro de futebol, o filho de imigrantes se transformou num símbolo da França multicultural, com o 'Black-Blanc-Beur' (negros, brancos e árabes, em tradução livre) substituindo o tradicional 'Bleu-Blanc-Rouge' (azul, branco e vermelho) da bandeira do país.

Da cavadinha à cabeçada

A imagem rendeu contratos publicitários milionários ao craque, que foi contratado a peso de ouro pelo Real Madrid (75 milhões de euros) junto à Juventus, em 2001, um ano depois de conquistar a Eurocopa.

Zidane chegou a se aposentar da seleção francesa em 2004, mais voltou para disputar a Copa de 2006, na Alemanha, onde sonhava em encerrar a carreira com mais um título mundial.

Depois de uma atuação memorável contra o Brasil, que foi novamente vítima do seu talento nas quartas de final (1-0), o meia disputou sua última partida na decisão, contra a Itália.

No estádio Olímpico de Berlim, teve a ousadia de bater um pênalti de 'cavadinha' para abrir o placar, viu a 'Nazionale' empatar, e por pouco não se tornou o primeiro jogador da história a marcar duas vezes dois gols em finais de Copa do Mundo.

Na prorrogação, o cabeceio certeiro parou no goleiro Buffon, seu ex-companheiro de clube na Juve, que tirou a bola com a ponta dos dedos.

Poucos minutos depois, o sonho virou pesadelo. Zidane perdeu a cabeça ao ser provocado por Materazzi e encerrou com uma expulsão sua brilhante carreira.

A França acabou esquecendo o gesto, e o craque continuou a ser o ícone preferido das marcas.

Ele poderia muito bem ter vivido da sua imagem, mas preferiu encarar o desafio de ser treinador, para "transmitir sua experiência" e "estar na primeira linha", com a "ambição" de assumir o comando da seleção francesa.

De auxiliar a técnico principal

O batismo de fogo veio mais cedo do que o esperado, nesta segunda-feira, após a demissão de Rafael Benítez do Real Madrid.

Zidane voltou ao clube três anos depois de pendurar as chuteiras, em 2009, como conselheiro do presidente Florentino Pérez, responsável pela sua contratação em 2001, com a política dos 'galáticos'.

O francês passou um ano aprendendo ao lado do técnico Carlo Ancelotti, do qual foi auxiliar na temporada 2013-2014, conquistando a tão esperada 'La Décima', o décimo título europeu do clube.

"Ele tem todas as qualidades para treinar uma grande equipe, principalmente o Real Madrid", resumiu Ancelotti há um ano.

Em julho de 2014, 'Zizou' assumiu o comando do Real Madrid Castilla, time B 'merengue', e só obteve o diploma oficial de treinador em maio de 2015, o que gerou muitas polêmicas na Espanha.

As circunstâncias o levaram de volta aos holofotes antes do previsto, com a missão de desempenhar com a mesma virtuosidade dos seus tempos de solista o papel de Maestro.

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