Torcedor do Manchester United, empresário e membro da família real do Barein, o xeque Salman ben Ibrahim al-Khalifa é um dos favoritos à eleição presidencial da Fifa, nesta sexta-feira, em Zurique, apesar de acusações recorrentes de defensores dos direitos humanos.

Presidente da Confederação Asiática (AFC) desde 2013 e vice-presidente da Fifa desde 2015, Salman sonha em se tornar o primeiro do seu continente a chegar ao mais alto cargo do futebol mundial.

Aos 50 anos de idade, o xeque parece até mais velho, com seus cabelos grisalhos e seu fino bigode quase branco. Ele tem a reputação de ser um homem discreto, mas que age sempre com firmeza e determinação.

Sua irmã é a esposa do rei do Bahrein, pequeno país do Golfo situado perto da Arábia Saudita.

Com o apoio oficial da própria AFC e da confederação Africana, que reúne 54 dos 209 membros com direito de voto na eleição, Salman divide o favoritismo com Gianni Infantino, secretário-geral da Uefa.

Seu nome começou a ser mais cotado com a desistência de Michel Platini, presidente da Uefa, que ficou fora do páreo em dezembro.

'Entre eu e Infantino'

Inicialmente, o bareinita apoiava Platini, em nome da AFC, mas o panorama mudou em dezembro, quando o ex-craque francês foi suspenso por oito anos pela comissão de ética por conta de um pagamento suspeito que recebeu de Joseph Blatter, presidente demissionário da Fifa.

"Estou confiante e otimista. Do meu ponto de vista, tudo está melhor do que ótimo", declarou o xeque em entrevista à AFP, no dia 31 de dezembro, antes de reconhecer que a eleição será "entre mim e ele", referindo-se a Infantino.

No seu programa oficial de campanha, Salman prometeu "uma reformulação completa da organização e a introdução de mecanismos de controle rigorosos".

Para chegar à presidência da AFC, o xeque tirou proveito do banimento do catariano Mohammed Bin Hammam, que foi afastado para sempre do esporte em 2011, pouco depois da eleição presidencial na qual era visto como o principal opositor de Blatter.

Em maio de 2013, Salman foi eleito com folga presidente da AFC, que soma 46 federações nacionais.

'Mentiras horrorosas'

Outro trunfo é sua ligação estreita com o influente xeque kuwaitiano Ahmad al-Fahad Al-Sabah, membro do Comitê executivo da Fifa, e considerado um 'fazedor de reis' na entidade que rege o futebol mundial.

O bareinita, porém, também tem uma pedra no sapato: críticas de organizações de defesa dos direitos humanos, que o acusam de suposto envolvimento na repressão da revolta xiita de 2011 no seu país, em meio à Primavera Árabe.

Salman sempre considerou as alegações "mentiras horrorosas", apesar de ser questionado por não ter protegido atletas que tiveram problemas por terem participado das manifestações.

Nascido no dia 2 de novembro de 1965, em Londres, o xeque estudou contabilidade na capital inglesa, e também se formou em história e literatura inglesa no seu país, antes de virar empresário de sucesso da construção civil e do comércio internacional.

Ele chegou ao primeiro cargo oficial no futebol em 1998, como vice-presidente da federação do Bahrein, da qual assumiu o comando em 2002.

Salman foi derrotado por Bin Hammam em 2009, na sua primeira tentativa de ser eleito para o comitê executivo da Fifa, mas ele soube aproveitar a queda do catariano para ganhar influência na AFC.

No ano passado, o xeque foi reeleito presidente da confederação asiática por aclamação. Na ocasião, ele mostrou toda sua autoridade ao se recusar a dar a palavra ao representante sul-coreano, que queria contestar o pleito.

Na sexta-feira, ele terá que se mostrar mais diplomático se quiser ocupar o cargo deixado vago por Blatter, depois de 17 anos de reinado.

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