O vice-presidente americano, Joe Biden, e sua esposa, Jill Biden, chegam ao Aeroporto Internacional Ben Gurion, em Israel, no dia 8 de março de 2016 O vice-presidente americano, Joe Biden, e sua esposa, Jill Biden, chegam ao Aeroporto Internacional Ben Gurion, em Israel, no dia 8 de março de 2016

O vice-presidente americano, Joe Biden, criticou nesta quarta-feira, em Jerusalém, os líderes palestinos que se recusam a condenar a violência contra israelenses.

Essa escalada acompanha a visita de Biden desde sua chegada na terça.

Os Estados Unidos "condenam esses atos e condenam aqueles que não os condenam", declarou Biden à imprensa ao lado do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

O chefe de Estado israelense pediu que a comunidade internacional condene o silêncio observado - segundo ele - pelo presidente palestino, Mahmud Abbas, e denuncie "as incitações permanentes ao ódio no âmbito da sociedade palestina, que glorifica o assassinato de inocentes".

À noite, Biden se reuniu com o presidente palestino.

De acordo com um comunicado oficial palestino publicado após a reunião, Abbas apresentou a Biden suas condolências pela morte de um turista americano, ontem, em um ataque palestino em Tel Aviv. A nota afirma, porém, que "a continuação da ocupação e da colonização são as causas da violência e do derramamento de sangue".

Israel, Jerusalém e os territórios palestinos registraram desde o início da visita de Biden pelo menos seis ataques anti-israelenses que deixaram um morto - um turista americano - e uma dúzia de feridos. Sete agressores palestinos foram mortos, segundo a Polícia.

Um desses ataques, cometido na terça-feira, ocorreu em Tel Aviv a uma distância de cerca de 15 minutos a pé do local onde Biden era recebido pelo ex-presidente Shimon Peres.

"Minha esposa e dois dos meus netos estavam jantando na praia não muito longe de onde aconteceu" o incidente, relatou Biden.

Nesta quarta de manhã, dois palestinos de 20 anos abriram fogo contra um ônibus em um setor ultraortodoxo judaico e, depois, perto da Cidade Velha de Jerusalém Oriental, parte palestina de Jerusalém anexada e ocupada por Israel. Os dois atacantes foram mortos.

Um homem de 50 anos, talvez um palestino, ficou gravemente ferido nos tiroteios. A Polícia procura determinar se a vítima foi atingida por projéteis dos atacantes, ou da Polícia.

'Deve parar'

Na Cisjordânia ocupada, um palestino foi morto depois que tentou esfaquear membros das forças israelenses, segundo o Exército.

As autoridades de segurança israelenses disseram que os ataques não parecem coordenados, mas não excluíram a possibilidade de a visita de Biden ter estimulado alguns de seus autores.

"Esse tipo de violência que vimos ontem, a ausência de condenação (da violência), a retórica que encoraja a violência, as represálias que suscita, tudo isso deve parar", defendeu Biden.

Após os novos ataques, o governo israelense decidiu acelerar a construção da barreira de segurança em torno de Jerusalém e na Cisjordânia, informaram as autoridades.

O conflito entre Israel e Palestina foi anunciado como um dos temas na agenda de Biden, bem como a situação na vizinha Síria, o Irã e a renovação da ajuda militar americana a Israel por dez anos.

Washington expõe sua indignação

Em Washington, um comunicado do Departamento de Estado condenou "nos termos mais enérgicos possíveis os indignantes ataques terroristas" ocorridos na terça-feira em Jaffa, Petah Tikvah e Jerusalém, que resultaram na morte do americano Taylor Allen Force.

Taylor Allen Force, de 29 anos, originário do estado do Texas, era veterano do Exército.

Um porta-voz da Polícia disse que foram endurecidas as medidas de segurança em Jerusalém.

Desde 1º de outubro passado, os territórios palestinos e Jerusalém são palco de uma onda de violência que deixou 188 palestinos, 28 israelenses, dois americanos, um eritreu e um sudanês mortos.

A maioria dos palestinos mortos era de autores, ou de supostos autores, de ataques contra israelenses. Grande parte foi executada pelas forças de segurança do Estado de Israel.

No âmbito diplomático, as complexas relações entre Israel e os Estados Unidos já tinham sofrido um golpe na terça-feira, após se revelar, antes da visita de Biden, que o premiê israelense declinou um convite da Casa Branca para se reunir com o presidente americano, Barack Obama.

Para os Estados Unidos, o próprio governo de Israel havia solicitado um encontro "em 17 ou 18 de março". Há duas semanas, a Casa Branca marcou a reunião para o dia 18.

Segundo seu gabinete, Netanyahu não quer interferir nas prévias eleitorais em andamento nos Estados Unidos.

Também nesta terça, o ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Marc Ayrault, afirmou que seu país não reconhecerá "automaticamente" um Estado palestino, em caso de fracasso da proposta de se organizar uma conferência internacional para relançar o processo de paz. Israel já rejeitou a iniciativa.

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