"Em setembro, meu amigo Donald disse que seus advogados estavam revisando o tema de todos os ângulos e não havia nada", disse Cruz.
"Agora, desde setembro a Constituição não mudou, mas os números das pesquisas sim", completou, em referência ao seu avanço entre os eleitores desde o fim do ano passado.
A Constituição dos Estados Unidos estabelece que para ter a possibilidade de ser eleito presidente, o candidato tem que ser um "cidadão natural de nascimento". Porém, esta é uma condição ambígua: exclui os cidadãos naturalizados, mas não define o que é um cidadão "natural".
Cruz, que tem mãe americana e pai cubano, afirmou que não existem dúvidas.
"O filho de um cidadão americano nascido no exterior é um cidadão natural de nascimento", disse.
Ele chegou a afirmar que Trump, cuja mãe nasceu na Escócia, estaria desqualificando a si mesmo da disputa com sua alegação.
"Mas eu nasci aqui. Grande diferença", respondeu Trump".
"Há um grande ponto de interrogação sobre a sua cabeça e não pode fazer isto com o partido", completou o magnata, que lidera a disputa republicana há seis meses.
O debate representou o fim declarado da cortesia entre os dois, que dominam as preferências dos eleitores conservadores com estilos similares: uma retórica incendiária e uma plataforma de rejeição aos refugiados de sírios, com o apoio à construção de um muro na fronteira e a expulsão de milhões de imigrantes sem documentos dos Estados Unidos.
"Valores de Nova York"
O sexto debate dos aspirantes republicanos, em North Charleston, no estado da Carolina do Sul, coincidiu com um crescente descontentamento da liderança do partido com o favoritismo de Trump.
A menos de duas semanas da primeira votação das primárias (1 de fevereiro em Iowa), e depois de evitar por meses ferir as suscetibilidades de Trump, os dirigentes do Grand Old Party (GOP) começam a falar contra o magnata, com mais receio de sua retórica xenófoba do que do risco de uma candidatura independente.
A jovem e carismática governadora da Carolina do Sul, Nikki Haley (43 anos), criticou Trump durante a resposta oficial republicana ao discurso anual sobre o Estado da União do presidente Barack Obama.
Com um apelo aos republicanos para que resistam às "vozes mais raivosas", Haley, filha de imigrantes indianos e possível candidata à vice-presidência, disparou ao mesmo tempo contra Trump e contra Obama.
Trump chamou Haley de "amiga", mas as críticas ressaltam uma disputa entre a base conservadora atraída pelo tom bombástico do magnate populista e o establishment do Partido Republicano.
Cruz acusou Trump de ter "valores de Nova York" - a favor do aborto, dos direitos dos homossexuais e dos meios de comunicação -, em uma clara tentativa de ganhar votos no conservador estado de Iowa.
Apesar de, paradoxalmente, a direção republicana atacar o pré-candidato que domina a disputa há seis meses, no fundo existe o medo ante as eleições gerais de novembro.
A liderança do partido teme que Donald Trump isole minorias cruciais como os latinos e não consiga unir de maneira suficiente a direita e o centro para enfrentar Hillary Clinton, a pré-candidata favorita entre os democratas.
Críticas a Hillary
Trump e Cruz estavam acompanhados no debate pelo senador de origem cubana Marco Rubio, o neurocirurgião aposentado Ben Carson, o governador de Nova Jersey, Chris Christie, o ex-governador da Flórida Jeb Bush e o governador de Ohio, John Kasich.
Todos aproveitaram a oportunidade para criticar Hillary Clinton na questão da segurança.
"Todos neste palco são melhores que Hillary Clinton, ela é um desastre", disse Bush, em um raro apelo por unidade no campo republicano.
"Clinton está desqualificada para ser comandante-em-chefe dos Estados Unidos", disse Rubio.
Outro momento de grande tensão no debate foi o argumento de Trump para proibir temporariamente a entrada de muçulmanos nos Estados Unidos, depois dos atentados na Califórnia e em Paris.
"Esta política torna impossível construir a coalizão necessária para derrotar o Isis", disse Bush, usando a sigla em inglês do grupo jihadista Estado Islâmico.
Durante o debate, Rubio e Cruz, os únicos pré-candidatos latinos dos dois partidos, tentaram reclamar cada um o título de mais conservador nas áreas de imigração e defesa.
"Nossa prioridade deve ser garantir que o Isis não envie assassinos aos Estados Unidos", disse Rubio, terceiro nas pesquisas.