Isso não significa um novo processo, e sim simplesmente uma nova deliberação para modificar a pena de prisão.
Enquanto a nova sentença não é determinada, Pistorius continuará cumprindo prisão domiciliar, na casa do tio, num condomínio de luxo da capital Pretória.
June Steenkamp, a mãe da vítima, estava presente no tribunal de Bloemfontein e permaneceu impassível durante o anúncio do veredicto, abraçada por uma amiga.
Seu marido, que se encontra em sua cidade, Port-Elizabeth, declarou a uma tv local que estava satisfeito com o novo veredicto.
Em primeira instância, Pistorius foi condenado a cinco anos de prisão por "homicídio culposo", mas o Tribunal Supremo de Apelação acabou dando razão ao procurador, que recorreu da primeira sentença.
O magistrado explicou que o caso foi "enviado à jurisdição de primeira instância", onde acontecerá uma nova deliberação para modificar a sentença.
Pistorius matou Steenkamp com quatro tiros através da porta do banheiro em que a modelo havia se trancado na casa em que os dois moravam em Pretória, em fevereiro de 2013.
Durante todo o julgamento, que contou com ampla cobertura da mídia sul-africana, Oscar Pistorius, amputado de ambas as pernas, sempre afirmou acreditar ter matado a namorada por engano, ao achar que um ladrão teria invadido sua casa e se escondido no banheiro.
Decisão anterior 'totalmente errada'
O Tribunal de Apelação não questionou a versão do acusado, que afirma ter acreditado que atirava contra um ladrão e que a namorada estava na cama.
Mas considerou que Pistorius não poderia ignorar o risco de matar alguém, independente de quem fosse a vítima, ao disparar quatro balas de grande calibre através da porta de um banheiro pequeno.
"É inconcebível que uma pessoa razoável pudesse pensar que estava autorizada a atirar com uma arma de grande calibre", disse o juiz.
"Deveria ter previsto que a pessoa atrás da porta poderia ficar ferida. Por isto, não dever ter sido condenado por homicídio culposo, e sim por assassinato", completou.
A família do atleta disse num comunicado que ainda vai "estudar as conclusões do Tribunal Supremo de Apelação ", e não descarta um último recurso, diante do Tribunal Constitucional.
"A decisão era esperada, porque a juíza Thokozile Masipa estava totalmente errada quando qualificou o crime como homicídio culposo", analisou William Booth, advogado sul-africano, especialista desse tipo de casos.
"Com base nos fatos e no direito, ela deveria, no mínimo, tê-lo condenado por assassinato", completou.
O atleta foi condenado em outubro de 2014 e saiu da penitenciária um ano depois, passando ao regime de prisão domiciliar na luxuosa residência de seu tio, além de cumprir trabalhos de interesse comunitário.
O drama fez cair do pedestal um atleta que era visto como herói nacional e símbolo de superação.
June Steenkamp, a mãe da vítima, estava presente no tribunal de Bloemfontein, onde permaneceu impassível durante o anúncio do veredicto.
"Desejo que a vida da minha filha seja respeitada e isso foi o que eu obtive hoje (...). Estou orgulhosa que ela conseguiu o respeito que merece", afirmou ao canal americano NBC.
Amputado com 11 meses de idade, Pistorius, que ganhou o apelido de 'Blade Runner' por correr com lâminas de carbono, conquistou quatro medalhas de ouro paralímpicas no atletismo, e quebrou inúmeros recordes;
O sul-africano levou o esporte paralímpico a outro patamar, ao se tornar nos Jogos Olímpicos de Londres-2012 o primeiro atleta amputado a competir junto com atletas sem deficiência.