As águas do Silala - que, segundo o governo, fornecem gratuitamente 180 litros por segundo a empresas chilenas como Chuquicamata, a maior mina de cobre a céu aberto do mundo - se tornou um novo ponto de controvérsia, pois La Paz anunciou que levará Santiago à Corte Internacional de Justiça (CIJ) de Haia.
Na CIJ, onde a Bolívia apresentou outra demanda contra o Chile para obter uma saída soberana ao mar, a qual perdeu em uma guerra no fim do século XIX, será gerida a restituição de direitos sobre o Silala, embora o governo de Michelle Bachelet disse que a rejeitará.
Na segunda-feira, a presidente Bachelet anunciou que o Chile também vai recorrer à justiça para resguardar seus direitos", confirmando uma postura antecipada pelo chanceler Heraldo Muñoz, que durante o fim de semana exibiu mapas antigos para avaliar a postura chilena.
Entre cachoeiras e áreas úmidas, Morales disse que se evidenciam olhos d'água e vertentes que emanam de território boliviano e que, mais abaixo, são canalizados para direcioná-los ao território chileno.
"Verificamos que foi canalizado; são canais artificiais, mais abaixo há tubulações que vão para o Chile", assegurou o presidente, que pediu aos governantes chilenos para "dizer a verdade".
Ele ratificou que a Bolívia comparecerá, ainda sem data informada, ao tribunal internacional, apesar de o Chile arguir que um tratado de paz e limites de 1904 definiu o afluente como um rio internacional, de vazão sucessiva e natural.
No entanto, a Bolívia alega que em 1908 as ferrovias chilenas pediram autorização à Bolívia para fazer canais artificiais no manancial, permissão que já expirou.
Morales também pediu o acompanhamento de organismos internacionais como Unasul e Celac para verificar a validade da reivindicação boliviana e anunciou que o Ministério das Águas fará um estudo para obter uma informação técnica sobre o afluente e seus usos.