Posteriormente participarão de uma reunião de uma hora e mais tarde farão uma declaração à imprensa.
Esta visita, dominada por temas econômicos, carrega uma forte dimensão simbólica da abertura de Cuba ao mundo após o degelo com os Estados Unidos.
Raúl Castro havia sido recebido pela manhã pela ministra da Ecologia, Ségolène Royal, a número três do governo, em uma cerimônia solene no Arco do Triunfo de Paris, onde recebeu honras militares.
Após a cerimônia, Raúl Castro percorreu a Champs Elysees escoltado pela Guarda Republicana francesa a cavalo.
Perto do local era possível observar pequenos grupos de simpatizantes castristas segurando bandeiras cubanas.
Um jovem cubano que preferiu não se identificar declarou que estava lá "para ver Raúl" e evidentemente para apoiá-lo.
Um pouco mais adiante, um grupo de membros da associação Cuba Sí Francia se reunia.
"Estamos aqui para saudar e dar as boas-vindas a Raúl Castro". Esta visita "é um acontecimento que desejamos há tempos, que Cuba seja reconhecida pela França e pela Europa com sua soberania e sua independência", afirmou Michel Taupin, um dos membros da associação.
Após a reunião de Castro e Hollande no palácio presidencial, serão assinados vários acordos, incluindo um de anulação de parte da dívida cubana com a França.
Durante a noite, Castro será o convidado de honra de um jantar de gala no Palácio Presidencial.
A visita do presidente cubano à França responde à realizada por seu colega francês a Cuba em maio passado.
Hollande foi o primeiro líder ocidental a visitar a ilha depois do degelo com os Estados Unidos, que começou no fim de 2014 e se concretizou com a abertura de embaixadas dos dois países em meados de 2015.
Dívida, investimentos e direitos humanos
Paris busca reforçar a presença de empresas francesas em uma Cuba que se abre pouco a pouco à economia de mercado.
Com um comércio anual de 180 milhões de euros, a França forma parte dos 10 primeiros sócios de Cuba e, entre seus planos, está aprofundar suas relações com Havana.
A ilha, um polo turístico em expansão e com uma mão de obra qualificada, é vista pelos Estados Unidos e por seus concorrentes europeus com um interesse renovado.
Paris também considera que Cuba tem um lugar particular na América Latina, uma região prioritária para a diplomacia do governo de Hollande.
Desde sua eleição, em maio de 2012, o presidente francês recebeu diversos líderes latino-americanos, realizou várias visitas a países da região (Brasil, México, Cuba) e viajará em breve a Peru, Argentina e Uruguai.
Com o propósito de criar as melhores condições possíveis para esta nova relação, a França foi recentemente o artífice de um acordo sobre a dívida cubana com seus credores do Clube de Paris.
Em virtude deste convênio, a ilha conseguiu o perdão de 8,5 bilhões de dólares, o que deve desbloquear seu acesso aos mercados financeiros, enquanto espera o fim do embargo americano imposto em 1962, condenado durante vários anos pela França.
Mas Paris quer aproveitar a visita de Castro para ir além e anunciar planos de financiamento no âmbito da reestruturação da dívida cubana.
Os franceses também estão na linha de frente das negociações iniciadas em abril de 2014 entre Cuba e a UE, que em breve podem desembocar em um "acordo de diálogo político e cooperação", o que significará deixar para trás velhas controvérsias sobre os direitos humanos.
O espinhoso tema, pelo qual Cuba é alvo de críticas frequentes, estará nas discussões bilaterais, disse uma fonte diplomática francesa em Paris.