Líder do conservador Partido Popular, Rajoy, de 60 anos, vê sua reeleição em risco em um contexto político muito diferente em comparação com o que no fim de 2011 o levou ao poder com uma ampla maioria absoluta, após duas legislaturas do socialista PSOE, a quem muitos espanhóis culpavam pela crise.
Agora, após quatro anos de uma draconiana política de austeridade que alimentou o descontentamento social, a emergência de dois partidos novos - o antiliberal Podemos e o centrista Ciudadanos - ameaça o bipartidarismo histórico do PP e do PSOE.
Mas, como se nada tivesse mudado, Rajoy se negou a debater com os líderes destas jovens formações, o cientista político Pablo Iglesias, de 37 anos, e o advogado Albert Rivera, de 36 anos, e aceitou apenas participar do já tradicional "cara a cara" televisivo com o atual chefe da oposição.
A crescente desigualdade social, o ainda muito elevado desemprego e a queda no nível de vida das classes médias deve centrar este duelo organizado pela Academia de Televisão e transmitido por vários canais e emissoras de rádio a partir das 22h00 (19h00 de Brasília).
O grande tema da corrupção, que pesa sobre os dois partidos, com enormes escândalos, também estará onipresente.
"Para mim é uma prioridade básica acabar com isso", afirmou Rajoy há uma semana durante um programa de televisão no qual respondeu a perguntas dos cidadãos. "Todas aquelas pessoas que estão em nosso partido e que forem envolvidas em casos de corrupção serão afastadas", afirmou taxativo.
Neste debate, "Rajoy tem muito pouco a ganhar e muito a perder", estima o cientista político Antón Losada, professor na Universidade de Santiago de Compostela, considerando que os eleitores do PP já estão convencidos, principalmente pela reativação econômica, e que os indecisos podem optar pelo PSOE se o governante em fim de mandato não convencer.
Espanha mudou
No entanto, na opinião do comentarista político José Antonio Zarzalejos, ex-diretor do jornal conservador ABC, os principais beneficiados ou prejudicados com este debate podem ser precisamente os ausentes.
"Este é um debate para os indecisos que antes votavam no PP e agora estão pensando em votar no Ciudadanos, e nos que antes votavam no PSOE e agora estão pensando em votar no Podemos", afirma.
Segundo várias pesquisas publicadas nesta segunda-feira, último dia permitido por lei, o PP aparece como favorito, com uma estimativa de voto que varia de 25,3% (entre 105 e 112 assentos) a 29,9% (125-128 assentos). De qualquer forma muito longe da maioria absoluta (176 deputados) e dos 45% obtidos nas eleições anteriores, o que o obrigaria a fazer pactos para governar.
Já os socialistas aprofundariam seu fracasso de 2011, restando ao menos vinte deputados dos 110 obtidos na época, no que já havia sido o pior resultado de sua história.
Os assentos perdidos por ambos irão aos partidos emergentes.
Neste debate se enfrentam "dois senhores que representam uma Espanha que já não é, a Espanha de verdade já mudou", lançava o número dois do Podemos, Íñigo Errejón, no domingo em um grande comício em Madri.