Ferido superficialmente em um flanco e na garganta, o professor foi hospitalizado, mas sua vida não corre risco.
O agressor escapou possivelmente a pé e está foragido, indicou uma fonte policial. Estava vestido como pintor, com luvas, o rosto coberto e calçado com botas militares.
A agressão ocorreu cedo, antes da chegada dos alunos (de entre 3 e 6 anos), na pré-escola Jean-Perrin de Aubervilliers, subúrbio popular do nordeste de Paris.
Segundo os primeiros elementos da investigação, o agressor chegou à escola sem armas e utilizou um estilete e tesouras que estavam na sala de aula para agredir o professor.
Segundo a promotoria, o homem disse: "É o Daesh acrônimo em árabe do EI). Isso é uma advertência". O EI reivindicou os atentados de 13 de novembro em Paris, que deixaram 130 mortos e centenas de feridos.
Estas palavras foram citadas por uma testemunha que trabalha na escola.
A polícia ainda não pôde ouvir o professor, de 45 anos.
Em sua edição do fim de novembro, a revista francófona de propaganda do EI, Dar-al-Islam, classificou os professores da educação nacional francesa de "inimigos de Alá" que "ensinam o laicismo", acusando-os de estar "em guerra aberta contra a família muçulmana".
O grupo jihadista convocava a "combatê-los" e "matá-los", assim como os funcionários franceses dos serviços sociais.
"O muçulmano deve saber que o sistema educacional francês está construído contra a religião em geral, e que o Islã, enquanto única religião de verdade, não pode conviver com este laicismo fanático", acrescentava o EI.
Maleta de segurança
Embora as fontes policiais se mostrem prudentes a respeito da hipótese islamita, a investigação foi encarregada ao setor antiterrorista da promotoria e à polícia antiterrorista pela acusação de tentativa de assassinato relacionada a uma empresa terrorista, indicaram fontes judiciais.
Desde meados de novembro e os últimos atentados, a segurança foi reforçada nos estabelecimentos escolares franceses, proibindo as reuniões e reforçando as patrulhas ao redor deles.
Além disso, um mapa detalhado dos locais deve ser transmitido à prefeitura, e cada escola precisa garantir o bom estado da "maleta de segurança", que contém um walkie-talkie, uma lanterna e biscoitos de sobrevivência, entre outros elementos.
A ministra francesa da Educação, Najat Vallaud-Belkacem, que se dirigiu nesta segunda-feira à escola, denunciou "um ato de grande gravidade".
"Vamos seguir reforçando, com o ministério do Interior, as medidas de segurança, em um contexto no qual, sim, a escola se sente ameaçada", disse.
A escola Jean-Perrin voltará a funcionar normalmente na terça-feira, acrescentou a ministra.
Esta não é a primeira vez em que uma escola é atacada na França. Em março de 2012 o jihadista francês Mohamed Merah atacou um colégio judeu em Toulouse (sul), matando três crianças e um professor.
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