O escritor peruano Mario Vargas Llosa, que negou que estava a par da conta offshore em seu nome mencionada nos "Panama Papers", criticou, no entanto, as políticas ficais "que são como expropriações" e encorajam a evasão.

"Há países onde os impostos são como expropriações e dá para entender que existam empresas, indivíduos ou famílias que tentem escapar do que encaram como uma ameaça terrível para seu futuro", disse o prêmio Nobel em Paris, em declarações divulgadas nesta sexta-feira pela emissora France Inter.

Segundo o escritor, "é preciso respeitar a lei, é importante, é fundamental para que a democracia funcione, mas ao mesmo tempo é preciso buscar que a lei seja realista. Há leis que encorajam uma pessoa a uma transgressão da lei".

"Há países que avançam graças a esta situação, como ocorre com o Panamá e antes com a Suíça", comentou.

"O Panamá é um país que avançou muito graças ao sistema que permite a criação de empresas por estrangeiros. Não é que tenha que se alegrar, mas é preciso aceitar que é uma realidade de nossos dias; é preciso combatê-la com a lei, mas também revisando um pouco os impostos".

Na quinta-feira, em declarações à imprensa ao término de uma conferência no Instituto Cervantes, Vargas Llosa negou ter estado ciente da existência de uma conta offshore em seu nome e no de sua esposa mencionada nos "Panama Papers".

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