Combativo e ainda ansioso para tentar a sorte dirigindo a Fifa, cuja eleição para presidente será realizada em 26 de fevereiro, o ex-jogador da seleção francesa deposita a partir de agora todas as suas esperanças no Tribunal Arbitral do Esporte (TAS), estimando que "os dados estavam adulterados ante a Comissão de Ética".
Mas a principal dúvida é se o presidente da UEFA conseguirá esgotar todas as vias de recurso até 26 de janeiro, data definitiva para a validação das candidaturas.
Platini, que tinha a capacidade de ver o que iria acontecer antes dos demais em campo durante sua carreira como jogador, admite sem rodeios: "Não tenho certezas sobre o calendário, não sei como vai ser jogar a partida".
"Um comportamento dilatório"
Teoricamente, Platini deve em primeiro lugar apelar ante a câmara de recursos da Fifa, que quase certamente confirmará a sentença prévia, antes de se dirigir ao Tribunal Arbitral do Esporte (TAS), sua última tábua de salvação.
Mas o três vezes ganhador da Bola de Ouro acredita que a Fifa deseja prolongar o processo para impedir que se apresente à eleição para a presidência do órgão reitor do futebol mundial.
"Como não recebi os motivos da suspensão, não posso teoricamente recorrer ao TAS", explicou.
O advogado de Michel Platini, Thibaud d'Alès, indicou na segunda-feira à AFP que estes argumentos não serão comunicados "até a primeira metade de janeiro", o que demonstra, segundo o jurista, "uma atitude dilatória" da Fifa. D'Ales também informou que já havia pedido autorização da Fifa, indispensável para poder se dirigir ao TAS.
Mas inclusive no melhor dos casos, caso o TAS lhe desse a razão, o francês ainda teria um último obstáculo pela frente: a Comissão Eleitoral da Fifa será a responsável por validar sua candidatura.
Os partidários do francês começam a se dar conta da situação. Seu antigo companheiro como jogador na Juventus de Turin, Zbigniew Boniek, e atual presidente da Federação Polonesa de Futebol, afirmou nesta terça-feira ao jornal Gazeta Wyborcza que a suspensão de 8 anos infligida ao seu amigo equivale a uma "expulsão vitalícia".
Blatter só tem seu apartamento
À espera de que a situação de Platini se esclareça, cinco candidatos permanecem em disputa para a sucessão de Joseph Blatter, forçado a renunciar em 2 de junho, quatro dias depois de sua reeleição: o suíço-italiano Gianni Infantino, o xeque do Bahrein Salman bin Ibrahim al Khalifa, o príncipe jordaniano Ali Bin al Hussein, o sul-africano Tokyo Sexwale e o francês Jérôme Champagne.
Durante este tempo, uma atmosfera de fim de reinado paira sobre Blatter. Após 40 anos na Fifa, 17 deles como presidente, o suíço ainda poderá desfrutar do apartamento inerente ao cargo em Zurique até 27 de fevereiro, mas deve entregar seu telefone celular e não terá acesso a sua conta de e-mail profissional.
Os homens que já foram parceiros de Blatter hoje mostram sua rejeição. Chung Mong-joon, antigo vice-presidente da Fifa, suspenso por seis anos, comemorou nesta terça-feira a suspensão de Joseph Blatter por 8 anos, estimando que os fatos foram menores em comparação com outros escândalos nos quais o líder suíço esteve envolvido. "Em comparação com os assuntos ISL ou Visa-Master Card, trata-se de um caso de corrupção menor", indicou.