O premier da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen O premier da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen

O parlamento dinamarquês adotou nesta terça-feira por uma maioria de 81 votos dos 109 presentes, a criticada reforma da lei de asilo, que tem como objetivo dissuadir os solicitantes a tentar a sorte no país, e que prevê o confisco de bens.

O texto, apresentado pelo governo do primeiro-ministro liberal Lars Løkke Rasmussen e apoiado por todas as formações de direita, estabelece um corte dos direitos sociais dos migrantes e prolonga os prazos para reagrupamento familiar e a concessão de permissão de residência permanente.

Depois de pouco menos de quatro horas de debate, o texto apresentado pelo governo do primeiro-ministro liberal Lars Løkke Rasmussen, foi aprovado em uma votação na qual 70 parlamentares se ausentaram, 27 votaram contra e um se absteve.

A Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR) disse que o texto alimenta "o medo e a xenofobia", e o confisco de bens chamou muito a atenção no exterior, tanto que o jornal Washington Post não demorou para fazer um paralelo com a espoliação sofrida pelos judeus durante a Segunda Guerra Mundial.

Mas as organizações internacionais também estão alarmadas pelo endurecimento da política de reunião familiar. O projeto de lei eleva de um a três anos o prazo previsto para solicitá-la.

O primeiro-ministro liberal Lars Løkke Rasmussen, apoiado pelo Partido Popular Dinamarquês, hostil à imigração, assume plenamente a paternidade do que classifica como "o projeto de lei mais incompreendido da história da Dinamarca".

Criticado pelas Nações Unidas, pela União Europeia, pela Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) e por várias ONGs, o dirigente não se deixa impressionar, amparando-se em uma opinião pública dinamarquesa que em 70% considera a imigração como sua preocupação número um, de acordo com as pesquisas.

"Há muitos refugiados que chegam as nossas fronteiras; estamos sob grande pressão", declarou na segunda-feira a ministra de Imigração, Integração e Habitação, Inger Støjberg, em Bruxelas.

"Uma escolha impossível"

Segundo a Anistia Internacional, os migrantes, que em grande parte fogem das guerras em Síria, Iraque ou Afeganistão, enfrentarão "uma escolha impossível".

"Ou realizam com seus filhos e familiares viagens perigosas, ou os deixam onde estão e vivem uma separação prolongada, enquanto os membros de sua família seguem sofrendo os horrores da guerra", estimou Gauri van Gulik, diretora-adjunta da AI para a Europa.

A votação do projeto de lei nesta terça-feira no Parlamento se apresenta como uma formalidade, já que o governo aceitou algumas emendas para obter o apoio dos sociais-democratas, primeiro partido de oposição, e de outras duas pequenas formações direitistas.

Assim, no que diz respeito ao confisco de bens, a polícia poderá inspecionar a bagagem dos migrantes e tomar valores que superem 10.000 coroas (1.340 euros, 1.450 dólares) e os objetos pessoais cujo valor supere o mesmo limite. O texto inicial previa para estes um máximo de apenas 3.000 coroas.

Além disso, o projeto de lei permite aos demandantes de asilo guardar suas alianças e todo objeto de valor sentimental.

A Dinamarca goza de uma cláusula que a exonera de se alinhar sobre a política de asilo europeia. No entanto, está sujeita aos tratados internacionais assinados e que o primeiro-ministro agora quer modificar, devido à crise migratória vivida pela Europa.

Segundo explicou em dezembro, se tantos migrantes continuarem se dirigindo à Europa (cerca de um milhão em 2015), "chegará um momento em que precisaremos falar (...) de ajustar as regras do jogo".

Rasmussen foi eleito em junho, e rapidamente propôs uma "desaceleração imediata" do fluxo de refugiados, em um país que registrou um total de 21.000 demandas de asilo em 2015, dentro de uma população de 5,5 milhões de habitantes.

Há meses, a Dinamarca já havia se lançado em um "concurso de feiura" para se tornar menos atrativa aos olhos dos migrantes, reduzindo as ajudas sociais, endurecendo as condições de residência e publicando anúncios dissuasivos na imprensa de alguns países árabes.

"É incontestável que o tom do debate público sobre os refugiados e os imigrantes endureceu", constata Kashif Ahmad, dirigente do Partido Nacional, que busca atrair o voto dos imigrantes.

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