A capital do Catar perdeu para Londres na disputa para organizar o Mundial de atletismo de 2017, mas acabou obtendo a sede da edição seguinte, em 2019, derrotando a cidade de Eugene, no Oregon, sede histórica da empresa americana de material esportivo Nike.
Eugene acabou ficando com a edição de 2021, uma decisão tomada em abril do ano passado, para a surpresa de todos, porque o processo de candidatura sequer tinha sido lançado.
A justiça francesa, inclusive, está investigando a atribuição do evento à cidade do Oregon, e o próprio presidente da IAAF, o britânico Sebastian Coe, chegou a ser acusado de conflito de interesses, por exercer na época a função de embaixador da Nike.
Warner, que liderou a candidatura vitoriosa de Londres-2017 já havia feito denúncias recentemente, em entrevista à BBC.
"Durante a noite que antecedeu a votação, um alto dirigente da IAAF me disse que alguns membros do Conselho (o braço executivo da IAAF, que vota na atribuição dos Mundiais) foram chamado um a um para um hotel, onde receberam envelopes com dinheiro", tinha revelado o britânico.
No parlamento, Warner recusou-se a revelar a identidade do dirigente da IAAF que denunciou o esquema, sendo que chegou a ser perguntado pelos deputados se Sebastian Coe teve envolvimento no caso.
"Pode ter sido um certo número de pessoas", contentou-se a responder Warner, antes de alegar que seria "inadequado" fazer mais comentários antes de ser ouvido pela comissão de ética da IAAF.
O Catar também é alvo de suspeitas em relação à atribuição da sede da Copa do Mundo de futebol de 2022, que está sendo investigada pela justiça suíça, em meio ao mega-escândalo de corrupção da Fifa.