"Vamos dizer que todas as decisões que estão tomando são contrárias ao povo e exigir que cumpram a Constituição", disse Capriles na terça-feira.
Em Caracas, a mobilização terá como destino o tribunal que ordenou às forças de segurança que protejam as instalações do CNE de "protestos não autorizados", após a apresentação de um recurso por funcionários do Conselho.
Nos dias 10 e 17 de maio, partidários da coalizão Mesa da Unidade Democrática (MUD) - que tem maioria no Parlamento - tentaram, sem sucesso, organizar passeatas até a sede central do CNE em Caracas, mas foram bloqueados por policiais e militares, situações que provocaram conflitos.
O objetivo da oposição era exigir do CNE que não adiasse a revisão das assinaturas apresentadas em 2 de maio para ativar o referendo, primeiro passo de um longo e complexo processo para revogar o mandato de Maduro. O CNE anunciou que esta fase terminará em 2 de junho.
As mobilizações são consideradas pela MUD sua principal arma de pressão para a consulta que pretende afastar Maduro, eleito para um mandato de seis anos, que termina em 2019.
O protesto de 10 de maio reuniu mil pessoas e uma semana depois o número dobrou. As cifras modestas chamam a atenção, ainda mais que sete em cada 10 venezuelanos são favoráveis a uma mudança de governo, segundo a empresa Datanális.
O cientista político Héctor Briceño explica que, em 17 anos, o chavismo conseguiu controlar as mobilizações.
Além disso, especialmente nos setores populares, está presente na memória o 'Caracazo', uma violenta explosão social em 1989 que, segundo o analista, se tornou um "muro de contenção" ante possíveis guinadas violentas.
Em contraste com a participação nas passeatas, a MUD afirma ter reunido 1,8 milhão de assinaturas em apenas cinco dias para pedir a ativação do referendo revogatório, um número nove vezes superior ao necessário, de acordo com a lei.
As mobilizações acontecem em um cenário de mal-estar social com a severa escassez de alimentos e remédios, além de uma inflação projetada de 700%, de acordo com o FMI, para 2016.
Além disso, o país sofre com cortes cotidianos de energia elétrica e água, além dos altos índices de criminalidade.
Briceño vê uma convergência progressiva entre o protesto político e as demandas sociais.
O governo descarta a possibilidade de um referendo revogatório em 2016, alegando que os prazos legais não permitem o que a oposição deseja.
Se a consulta acontecer depois de 10 de janeiro de 2017, quando o mandato presidencial completa quatro anos, e Maduro for derrotado, os dois anos restantes serão completados pelo vice-presidente, designado pelo chefe de Estado. Se o referendo acontecer este ano e o chavismo for derrotado, novas eleições serão convocadas.
Maduro, que critica a ofensiva da oposição para interromper seu mandato e alega ainda uma "ameaça" de intervenção estrangeira, decretou estado de exceção em 13 de maio.