O mulá Akhundzada, com idade por volta de 50 anos, filho de um teólogo, é natural de Kandahar, sul do Afeganistão, assim como seus dois predecessores à frente dos talibãs, os mulás Omar (falecido em 2013) e Mansur.
Akhundzada entrou para os talibãs em meados dos anos 1990 no Paquistão, onde sua família buscou refúgio durante a ocupação soviética (1978-89).
Após a instauração do regime islamita em 1996, Akhundzada atuou na função de juiz responsável pelos assuntos dos talibãs, de acordo com o analista paquistanês Rahimulah Yusafzai.
Ao contrário de Omar e Mansur, ganhou fama nos tribunais corânicos e não nos campos de batalha. É considerado o autor de vários regulamentos para a aplicação das leis corânicas de acordo com as rigorosas interpretações do islã pregadas pelos talibãs.
Em 2001, após a expulsão dos talibãs do poder pela invasão americana, Akhundzada se refugiou no Paquistão e durante algum tempo comandou uma mesquita, segundo Yusafzai.
Além disso, era o diretor para assuntos judiciais da insurreição islamita, de acordo com um porta-voz dos talibãs.
Akhundzada foi auxiliar do mulá Mansur - que havia sido nomeado líder dos talibãs em julho de 2015, depois de comandar o grupo nas sombras por alguns anos -, ao lado de Sirajuddin Haqqani, chefe de uma importante rede insurgente de mesmo nome e grande aliado dos talibãs.
De acordo com uma fonte talibã, Akhundzada teria sido designado como sucessor pelo próprio Mansur.
"Representa o status quo", disse Yusafzai.
"Levará adiante a mesma política do mulá Mansur. Não negociará", opinou, em referência às tentativas de aproximação do governo afegão.
O mulá Akhundzada foi designado porque é um dos dirigentes talibãs mais veteranos, segundo o analista Amir Rana.
"É um dos mais idosos e mais experientes. Foi eleito para acabar com todas as dissidências", afirmou Rana.
"Ele considerado um partidário das negociações de paz, mas não pode fazer nada sem o consenso da shura", o organismo de direção dos talibãs, completou Rana.