"Ele perdeu legitimidade aos olhos do país", reforçou.
Enquanto o presidente dava estas declarações na Casa Branca, o secretário de Estado americano, John Kerry, e o chanceler russo, Sergei Lavrov, mantinham uma reunião em Nova York para discutir uma solução política para a guerra que se arrasta há cinco anos.
O Conselho de Segurança da ONU adotou nesta sexta-feira uma resolução que prevê que "no início de janeiro" se iniciem negociações entre o governo e os rebeldes sírios para acabar com a guerra e declarar um cessar-fogo.
Aos jornalistas presentes na coletiva, Obama disse que a continuidade de Assad no poder, depois de ter "massacrado" seus concidadãos, ao invés de conduzir uma transição política, "não é possível".
"Consequentemente, nossa visão é de que você não pode trazer paz à Síria, não pode por fim à guerra civil a menos que tenha um governo reconhecido como legítimo pela maioria do país. Isto não ocorrerá".
O presidente afirmou, ainda, que os esforços de Kerry em Nova York dão "uma oportunidade, mas não para fazer o relógio voltar atrás". "Será difícil superar a devastação que já ocorreu na Síria, mas se trata de uma oportunidade para encontrar uma transição política que mantenha o Estado sírio".
Além disso, a esperança é que "se inicie um cessar-fogo".
Esta suspensão das hostilidades "não será perfeita", afirmou, mas "permitirá que todas as partes se concentrem no que deveria ser uma prioridade, que é destruir o grupo Estado Islâmico e seus aliados na região".
Promessa de campanha
Em outro momento da coletiva, Obama afirmou o desejo de trabalhar no Congresso para fechar o centro de detenção instalado na base naval de Guantánamo, em Cuba, uma de suas promessas desde que chegou à Casa Branca, em 2008.
Obama disse que não assumiria a princípio uma negativa do Congresso de um esforço conjunto, mas sugeriu que poderia agir mediante decretos, como fez com as medidas de alívio migratório, e admitiu que "Guantánamo é um ímã fundamental no recrutamento de jihadistas".
"Acho que é preferível se pudermos fazer algo com o Congresso. Vocês já me viram agir sobre migração, não vou me antecipar no que posso fazer sem o Congresso, sem antes provar o que posso fazer com o Congresso", declarou o presidente.
Obama revelou que levará ao Congresso um plano "sobre como podemos fechar Guantánamo. Não vou assumir que o Congresso dirá não. Penso que é justo dizer que haverá importante resistência em alguns setores a esta ideia".
No entanto, o presidente antecipou que pretende argumentar que "não faz sentido" continuar gastando milhões de dólares "para ter um ambiente seguro para 70 pessoas".
Segundo ele, o governo tem trabalhado sistematicamente para reduzir o número de pessoas detidas em Guantánamo, incluindo aí um processo de "revisão daqueles casos de (pessoas) elegíveis para uma transferência".
A expectativa da Casa Branca, de acordo com Obama, é que no começo do ano que vem seja possível reduzir o número de detidos em Guantánamo "a menos de 100" pessoas.
No Congresso, a bancada do opositor Partido Republicano se opõe terminantemente a qualquer projeto que contemple o fechamento do centro de detenção, mediante a transferência de presos considerados perigosos para o território americano.
Para os republicanos, este cenário transformará os locais de detenção onde estas pessoas estiverem em eventuais alvos de ataques e permitiria, ainda, a estas pessoas a possibilidade de se defender mediante o sistema judicial americano, ao qual não têm acesso em Guantánamo.