No domingo, porém, a população rejeitou um quarto mandato, com 51,21% dos votos.
Além de forçar o partido da situação a buscar outro candidato, o apertado resultado também mostra à oposição que é o momento de unir forças diante de uma perspectiva real de troca de poder. Desta vez, sem o imbatível ex-dirigente "cocalero" à frente.
Há uma década, a unidade da oposição enfrenta dificuldades diante da ampla gama de adversários do presidente: da direita, passando por posições de centro, à esquerda dos velhos aliados de Morales, que acabaram se afastando. Entre as críticas, está o perfil personalista do governo e do partido.
Hoje, os principais nomes da oposição são os históricos ex-candidatos presidenciais Samuel Doria Medina (centro-direita), Jorge Quiroga (direita) e o governador da rica região de Santa Cruz, Rubén Costas (direita) - todos com aspirações à presidência.
Renovação e modernização
O caminho da oposição para as eleições de 2019 está, porém, cheio de obstáculos.
"A oposição precisa se modernizar. Tem de permitir novas lideranças. Não 'a dedo' (por meio de influências), mas novos líderes que venham da base social", diz à AFP o analista político e sociólogo Iván Arias.
Sem citar nomes, Arias comenta que "há líderes históricos (da oposição) que já cumpriram seu papel".
Na mesma linha, o professor de Ciência Política da Universidade de San Andrés, Carlos Cordero, vê uma oposição "reativa" a tudo o que o governo faz.
"A oposição tem de se organizar, se mobilizar, promover a democracia interna, fazer a capacitação (de seus militantes) e, claro, precisa de dinheiro e não tem. Mas a oposição tem de trabalhar desde já", avaliou, em conversa com a AFP.
A mudança não está apenas na boca dos analistas, mas na dos políticos.
"O desafio que a posição tem é de se renovar e de construir um projeto político alternativo sério", afirmou o prefeito de La Paz, Luis Revilla, chefe do Sol.Bo, um movimento cidadão de centro-esquerda.
A ideia de unidade na oposição está no ar desde as eleições gerais de 2005, quando já se avistava o crescimento de Morales. Nas eleições à Presidência de 2002, o indígena havia ficado em segundo, atrás do empresário Gonzalo Sánchez de Lozada.
Nos três pleitos nacionais - de 2005, 2009 e 2014 -, os diferentes candidatos opositores lançaram o apelo da unidade, mas nunca conseguiram alcançá-la.
"A principal mensagem a extrair é a da unidade, ou seja, que o caminho da unidade é o de que a Bolívia necessita", afirmou o líder opositor boliviano Samuel Doria Medina, insistindo em que "a principal mensagem que a população nos deu é que, se trabalharmos unidos, teremos resultados".
Segundo ele, o que cabe agora é "um candidato, e não quatro".