O Milan não participa da maior competições de clubes da Europa desde a temporada 2013-2014, enquanto a Inter está fora desde a edição 2011-2012.
Uma eternidade para times que somam juntos dez títulos da Champions (três para a Inter, sete para o Milan) e 36 'Scudetti' (18 cada).
"Teria gostado de ver o Milan disputar a final da Liga dos Campeões em San Siro", lamentou na quinta-feira a vice-presidente do clube, Barbara Berlusconi, filha do ex-Premiê italiano e ex-namorada do atacante brasileiro Alexandre Pato.
O time 'rossonero' terá que se contentar com a final da Copa da Itália, no dia 21 de maio, no estádio olímpico de Roma, contra a atual tetracampeã nacional Juventus.
A prévia acontece justamente neste sábado, em San Siro, com a 'Velha Senhora' entrando com tudo para ficar mais próxima do penta.
O Milan tem um objetivo bem mais modesto: precisa vencer para não ser desbancado do sexto lugar pelo Sassuolo.
O time já vem de duas temporadas das mais decepcionantes, que terminou na nona e na oitava posição.
Sem garra nem filosofia de jogo
O elenco campeão italiano de 2011 foi desmontado no ano seguinte, por conta de problemas financeiros de Berlusconi, com a saída dos astros Zlatan Ibrahimovic e Thiago Silva para o 'novo rico' Paris Saint-Germain.
Sob o comando do técnico sérvo Sinisa Mihajlovic, que substituiu o ex-atacante Pippo Inzaghi, o clube tinha ambições renovadas em agosto, depois de investir em contratações milionárias.
O colombiano Carlos Bacca (ex-Sevilla) é a única satisfação entre os novatos, com 14 gols marcados, o mínimos que se pode esperar de um jogador que custou 30 milhões de euros.
O meia Andrea Bertolacci, que foi contratado por 20 milhões de euros junto ao Genoa, jogou muito pouco nesta temporada.
Já o brasileiro Luiz Adriano, que veio do Shakhtar Donetsk por 8 milhões, decepcionou tanto que chegou a ser vendido ao futebol chinês em janeiro, mas o negócio não foi fechado por causa a esposa do jogador o convenceu a desistir da transferência e permanecer na Itália.
Até o retorno Mario Balotelli foi um fiasco. Pelo menos, o polêmico atacante veio de graça, emprestado pelo Liverpool.
Em termos de filosofia de jogo, Mihajlovic não é nenhuma Guardiola. O time não tem identidade e deixa a torcida inconformada com falta de garra mostrando em campo.
A Inter chegou até a fazer um bom início de temporada, ostentando 100% de aproveitamento nas primeiras cinco rodadas, graças a uma série de vitórias por 1 a 0.
O time comandado por Roberto Mancini nunca teve exibições de encher os olhos e o rendimento foi caindo ao longo da temporada.
Com a ascensão da dupla Juve-Napoli, o sonho do título foi se afastando. O objetivo passou a ser o terceiro lugar, sinônimo de classificação para a Champions, mas o pódio também ficou distante.
Hoje, o time ocupa a quinta posição, oito pontos atrás da terceira colocada Roma, seis à frente do arquirrival milanês.
Procuram-se investidores
A travessia do deserto dos protagonistas do 'Derby della Madonnina', o clássico lombardo, tem consequências financeiras cada vez mais graves.
De acordo com dados públicados no início de março pelo jornal La Gazzetta dello Sport, Inter e Milan foram os times com maior saldo negativo no 'Calcio' na temporada 2014-2015, com prejuízo de 140 e 91 milhões de euros, respectivamente, muito longe dos 30 milhões autorizados pelo Fair Play financeiro.
Já punida no ano passado, a Inter está sob vigilância e deve ter que vender jogadores na próxima temporada.
Em junho, o time 'nerazzurro' desembolsou nada menos de 40 milhões de euros para contratar o jovem francês Kondogbia, que chegou a ser comparado ao compatriota Paul Pogba, craque da Juve, mas faz apenas uma temporada mediana.
Os dois clubes precisam de dinheiro fresco, e o indonésio Erik Thorir, dono da Inter, já está procurando investidores na China.
Já Berlusconi está negociando com o empresário tailandês Bee Taechaubol, ao qual espera vencer 48% das ações do Milan por 480 milhões de euros.
Se o negócio fracassar, o cartola já apresentou seu plano B: uma gestão 'low-cost', apostando tudo nos jovens da base, como Gianluigi Donnarumma, que se tornou em outubro o goleiro mais jovem a defender a equipe, com apenas 16 anos de idade.