Água fria no chuveiro, vestiários em luz, assentos arrancados nas arquibancadas do estádio... Jogadores e torcedores do Belenenses, tradicional clube lisboeta, são vítimas colaterais da guerra entre presidente e acionista majoritário.

A crise nasceu por causa dos problemas financeiros do clube, que ocupa a 11ª posição do Campeonato Português, com um lado jogando a culpa para o outro.

De acordo com o presidente do Belenenses, o acionista deve meio milhão de euros ao clube, 121.000 referentes a despesas energéticas.

"Não somos um banco a serviço dos acionistas. Essa dívida se arrasta desde junho de 2013", reclamou o presidente Patrick Morais de Carvalho.

"Foi uma semana tragicômica pela equipe", lamentou por sua vez Rui Pedro Soares, acionista majoritário do Belenenses desde 2012, por meio da Codecity, sua empresa de marketing esportivo.

Soares contestou na quinta-feira os números citados pelo presidente Carvalho, e fez a acusação contrária: segundo ele, o clube deve 573.000 euros à Codecity.

Para resolver o conflito, o acionista pediu intermediação do Centro de Arbitragem Comercial de Lisboa.

A crise chegou ao auge no dia 31 de março, quando a diretoria cortou a água e o gás no estádio Restelo, a casa do clube que foi quatro vezes campeão nacional em 1927, 1929, 1933 e 1946.

O corte obrigou os jogadores do time profissional a tomar banho de água fria e a usar smartphones para enxergar nos vestiários sem luz.

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