Manifestantes protestam a favor do ex-presidente Lula e da presidente Dilma Rousseff, no Rio de Janeiro, no dia 18 de março de 2016 Manifestantes protestam a favor do ex-presidente Lula e da presidente Dilma Rousseff, no Rio de Janeiro, no dia 18 de março de 2016

"Renúncia Já". A frase estampada na sede da poderosa Federação de Indústrias de São Paulo (Fiesp) antecipa o ambiente: no Brasil, as empresas e os mercados veem com bons olhos a saída da presidente Dilma Rousseff, acusada de maquiar as contas do governo.

Na quinta-feira a bolsa de São Paulo subiu 6,6%, a maior alta em um só dia dos últimos sete anos, embora na sexta-feira tenha recuado.

"O mercado celebra o fim desse governo", comentou à AFP o analista André Leite, da TAG Investimentos. Uma comemoração que não deixa de ser paradoxal, caso se considere a conhecida aversão dos mercados pelos cenários de instabilidade.

Na quinta-feira, a nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ministro foi suspensa por um juiz em Brasília e depois por Gilmar Mendes, no Supremo Tribunal Federal.

Esse novo revés pode ser interpretado como outro sintoma de fraqueza do governo de Dilma Rousseff, já ameaçada por um processo de impeachment no Congresso.

Com o país imerso na recessão econômica, em meio a inflação em alta, déficit público e dívida, a comunidade financeira não teve muito o que comemorar nos últimos anos.

"Os investidores parecem se concentrar no fato de que o Partido dos Trabalhadores (PT, esquerda) e Dilma vão perder o poder, dando lugar a tempos mais felizes", avalia David Rees, economista da Capital Economics e especialista em América Latina. Segundo ele, o aumento nos preços do ferro também contribuiu para a euforia.

A política econômica de Dilma Rousseff tem sido criticada pelos analistas por sua falta de controle orçamentário e de medidas rigorosas para enfrentar a crise.

"Sempre que Dilma parece estar perto de cair, as bolsas sobem e cai o risco país (indicador que mede a possibilidade de que o Brasil não pague sua dívida)", aponta Margarida Gutiérrez, professora de Macroeconomia na Universidade Federal do Rio de Janeiro.

- Muito cedo para sonhar -

Todos os círculos do poder econômico no Brasil parecem concordar. A poderosa Fiesp, que conta com cerca de 130.000 empresas afiliadas, assumiu publicamente sua posição a favor do impeachment na quinta-feira.

"A sociedade quer mudanças e deseja o impedimento de Dilma", disse Paulo Skaf, presidente da Federação à imprensa, ressaltando querer um Brasil onde se poderá "retomar o investimento, a criação de emprego, a reativação das empresas de todos os setores".

David Rees diz que ainda é cedo para sonhar: "Não estou convencido de que possamos esperar melhores políticas econômicas caso Dilma Rousseff deixe o poder".

"Inclusive, se houver mudança de governo, não está claro se quem chegar terá a possibilidade de aprovar reformas fortes, já que os problemas estruturais da economia ainda poderão persistir durante algum tempo", explicou.

O procedimento para impugnar a chefe de Estado é longo e complexo, e requer o voto de pelo menos dois terços dos deputados e senadores, o que poderá levar mais de seis meses.

No clima de crescente animosidade que reina no Brasil esse lapso pode ser encurtado, antecipa João Augusto de Castro Neves, diretor de América Latina da consultoria Eurasia Group.

"A probabilidade de uma mudança de governo realmente aumentou e é agora de 75%", de acordo com suas estimativas. "Pode ocorrer no começo de maio", prevê.

"Um governo de (Michel) Temer certamente se beneficiaria de uma lua de mel, mas a pergunta é: quanto tempo ela vai durar?", questiona Castro Neves. Se um novo presidente puder devolver a confiança à economia, "ele não terá capital político para implementar reformas ambiciosas", adverte.

Finalmente, lembra o analista, existe outro perigo: que Michel Temer também possa estar envolvido, diretamente ou indiretamente, nos dois grandes escândalos que sacodem o Brasil: o de corrupção da Petrobras e o do financiamento da campanha presidencial de 2014.

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