A presidente Dilma Rousseff durante uma entrevista no Palácio do Planalto em 7 de dezembro A presidente Dilma Rousseff durante uma entrevista no Palácio do Planalto em 7 de dezembro

O Supremo Tribunal Federal impôs uma pausa na tumultuada semana da guerra desatada no Congresso pelo pedido de destituição da presidente Dilma Rousseff.

Um juiz do Supremo suspendeu o processo de impeachment até o dia 16 deste mês, depois de aceitar uma denúncia de irregularidade na eleição da comissão especial de deputados que estudará as denúncias contra a chefe de Estado.

Dominada por opositores, a comissão foi considerada a primeira reviravolta desfavorável à Dilma na batalha contra o impeachment no Congresso.

"A Suprema Corte é o guardião de nossa Constituição e essa decisão impede o caos", declarou o deputado petista José Guimarães, líder do governo. "É uma vitória para a democracia", acrescentou.

"O jogo parou e o governo teve uma importante vitória", disse o deputado Sibá Machado, líder do Partido dos Trabalhadores na Câmara dos Deputados.

O recurso foi apresentado pelo PCdoB, aliado do governo, após uma tumultuada votação secreta na qual a oposição emplacou sua chapa na comissão especial.

O voto secreto foi imposto pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, inimigo de Dilma, e desatou uma avalanche de discussões, gritaria, tentativas de agressão entre legisladores e até urnas quebradas.

Após a eleição, as fileiras de Dilma ficaram desoladas: a chapa da oposição e de dissidentes do governo obteve 271 votos, contra 199 para a chapa do PT e de seus aliados.

O juiz Edson Fachin, um dos 11 ministros do STF, deu 24 horas a Cunha para que remeta toda as informações sobre os procedimentos seguidos pela Câmara que preside.

A imparcialidade de Cunha é mais que discutida devido a sua permanente guerra com o governo, vinculada ao risco que enfrenta de perder seu mandato por falta de decoro parlamentar.

Uma comissão parlamentar decidirá se deve ser investigado por ocultar contas na Suíça, supostamente vinculadas ao escândalos de corrupção na Petrobras, que já provocou a prisão de dezenas de políticos, empresários e banqueiros.

O governo quer enfrentar rapidamente o processo de impeachment, eliminando o recesso parlamentar para evitar a crescente insatisfação popular contra Dilma, que tem índices mínimos de aprovação.

- Apoio do mercado a Temer -

O mercado considera que Dilma já não tem capacidade política para enfrentar a maior recessão em décadas e aposta em um novo governo, liderado pelo vice-presidente, Michel Temer.

A Bolsa de São Paulo fechou em alta de 3,75%, alentada pelo que vários operadores interpretam como a possibilidade de um maior desgaste de Dilma com o prosseguimento do processo de impeachment.

"O mercado está manifestando seu apoio ao impeachment porque entende que com a saída de Dilma e a posse de Temer haverá mudanças", disse Alex Agostini, economista da Austin Rating.

Esta quarta-feira foi outro dia de más notícias econômicas para o governo: a inflação dos últimos 12 meses em novembro foi de 10,48%, atingindo os dois dígitos pela primeira vez em 12 anos.

Na noite desta quarta-feira, após se reunir com Dilma, Temer revelou que "eu e a presidente combinamos que teremos uma relação pessoal institucional e a mais fértil possível".

Dilma comentou o encontro afirmando que "na nossa conversa, eu e o vice-presidente Michel Temer decidimos que teremos uma relação extremamente profícua, tanto pessoal quanto institucionalmente, sempre considerando os maiores interesses do País".

A presidente tem seu cargo em jogo após ser acusada de transações financeiras irregulares, as chamadas "pedaladas fiscais", e de haver permitido gastos que requeriam autorização prévia do Congresso.

Onze meses depois de haver conquistado seu segundo mandato, Dilma tem apenas 10% de popularidade e se diz vítima de um golpe que atribui ao fato de a oposição não admitir a vontade popular expressa nas urnas.

A presidente se distanciou de Temer, um advogado constitucionalista de 75 anos que substituirá Dilma em caso de impeachment.

"A guerra pelo impeachment é uma disputa interna do PMDB" entre aliados e opositores do governo, estimou André Perfeito, economista-chefe da consultoria Gradual Investimentos em São Paulo.

"Para Dilma, pouco serve não ser submetida ao impeachment e perder mais uma vez o controle do Congresso. Se romper com Temer, tem um problema sério, porque, ao final, terão que conviver até o final de 2018", refletiu.

Sporaga.com, diversão para fãs de futebol que respiram esporte 24 horas por dia. Sporaga, símbolo de paixão e amor ao jogo.

Cadastre-se hoje com o código promocional "Play2Win" e Ganhe US$3 + envie US$3 para cada amigo e ganhe US$1 para cada cadastrado.