"É uma ocasião histórica que não deve ser desperdiçada", ressaltou Staffan de Mistura.
"Estamos aqui para as negociações", disse à AFP Monzer Makhous, porta-voz da principal coalizão da oposição, o Alto Comitê de Negociações (ACN), que chegou na noite anterior, em Genebra.
Ao meio-dia, a delegação do ACN se reuniu informalmente com Staffan de Mistura, em um hotel na cidade.
O ACN ameaçou no sábado se retirar do processo, caso a situação humanitária não melhore na Síria, e reiterou suas exigências: o levantamento dos cercos, fim dos ataques contra civis e a libertação dos detidos.
No terreno, a violência não dá trégua. Três explosões mataram ao menos 45 pessoas perto de uma mesquita xiita no sul de Damasco.
Neste contexto, os sentimentos são "mistos" na delegação do ACN, segundo Makhous. "Nós não temos garantias" sobre os gestos humanitários exigidos. "Há promessas, mas nós não acreditam mais nas promessas", ressaltou.
Segundo ele, o ACN, que reúne opositores políticos e representantes de grupos armados, também deve se renuir neste domingo com diplomatas dos principais países ocidentais envolvidos na questão síria.
Por sua vez, a delegação do regime, liderada pelo embaixador sírio na ONU, Bashar al-Jaafari, e que permaneceu em silêncio desde a sua chegada em Genebra na sexta-feira, deverá realizar a sua primeira coletiva de imprensa nesta tarde.
De Mistura espera fazer com que o regime e a oposição iniciem um processo de negociações indiretas. Ele planejou um processo com uma duração de seis meses, prazo fixado pelas Nações Unidas para alcançar uma autoridade de transição que irá organizar eleições em meados de 2017.
Mas o desejo da ONU parece muito difícil de ser concretizado, uma vez que a desconfiança e o ressentimento dominam as duas partes.
'Acabar com o sofrimento'
Desde março de 2011, a guerra na Síria fez mais de 260.000 milhões de mortos e forçou milhões de pessoas a deixar suas casas. E todos os dias, o número de mortos aumenta.
No sábado, a organização Médicos Sem Fronteiras anunciou que 46 pessoas morreram de fome desde 1º de dezembro na cidade de Madaya, perto de Damasco, onde 40.000 pessoas vivem sitiadas pelo regime.
Além desta cidade, 13 outras localidades estão cercadas pelo regime, os rebeldes ou os jihadistas do Estado Islâmico (EI), segundo a ONU.
Os civis também sofrem com os bombardeamentos do exército, mas também do seu aliado russo, que, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), mataram quase 1.400 civis desde o início de sua ação em setembro.
Com a guerra, a Síria também se tornou uma terra de jihad, e a ameaça terrorista para a comunidade internacional foi incorporada pelo Estado Islâmico. Mas, para o regime de Bashar al-Assad e seu aliado russo, todos os rebeldes são considerados terroristas.
"A diplomacia não consiste em se perguntar quem está sentado à mesa, mas saber quem quer realmente acabar com o sofrimento", considerou um porta-voz do ACN, Salem al-Meslet, em um comunicado.