"Embora a Europol não tenha recebido dados concretos sugerindo que grupos terroristas dependam sistematicamente ou cooperem com grupos criminosos para as suas atividades ilegais, não podemos ignorar o fato de que os terroristas poderiam utilizar os recursos dos contrabandistas para alcançar o seu objetivo", acrescenta o documento, recordando a presença, entre os responsáveis pelos ataques de 13 de novembro em Paris, de dois homens que entraram na União Europeia pela Grécia em meio ao grande fluxo de refugiados fugindo da Síria.
Acessível por meio do site da Interpol, o relatório co-escrito com a Europol já havia sido revelado, em parte, em uma reunião em Haia em fevereiro.
Dedicado a redes de imigração clandestinas para a Europa, ressalta que elas se tornaram uma importante fonte de lucro para o crime organizado, que teria arrecado em 2015 seis bilhões de dólares (5,3 mil milhões de euros) com a prática.
Aproximadamente um milhão de pessoas entraram na Europa em 2015 e estima-se que pagaram entre 3.200 e 6.500 dólares para facilitar a sua viagem, segundo as duas organizações policiais.
Segundo a Europol, citada no relatório, a passagem de 90% dos migrantes para a União Europeia foi facilitada por grupos criminosos. Frente ao fluxo migratório sem precedentes, Europol e Interpol constatam que os grupos criminosos inicialmente envolvidos em outros tipos de tráfico - de drogas, por exemplo, - diversificaram seus negócios, investindo nos passadores de migrantes.