Também é possível que tenha a ver com o local de trabalho", disse o presidente em uma breve declaração na Casa Branca, acrescentando que o FBI, a Polícia Federal Americana, está encarregada da investigação.
Pelo menos 14 pessoas morreram, e outras 20 ficaram feridas na quarta-feira em um tiroteio em um centro para deficientes localizado na cidade de San Bernardino, cerca de 100 km ao leste de Los Angeles.
A Polícia abateu os dois suspeitos, o casal Syed Farook e Tashfeen Malik, após várias horas de perseguição em uma gigantesca operação que mobilizou centenas de agentes locais, do FBI e de unidades de elite SWAT.
"Nesse ponto, ainda não sabemos por que esse terrível fato aconteceu", disse Obama, após se reunir com seu Conselho de Segurança Nacional, um dia depois do tiroteio.
A Polícia também não descartou a pista terrorista.
"Sabemos que os dois indivíduos que foram abatidos estavam equipados com armas, e parece que tinham acesso a outras armas em sua residência", explicou o presidente. "Mas não sabemos por que fizeram isso, não conhecemos sua motivação".
Hoje, a procuradora-geral americana, Loretta Lynch, declarou que "uma violência como essa não tem lugar neste país e nesta nação".
As autoridades concordam que Farook e a esposa jamais figuraram em qualquer lista de suspeitos dos órgãos de segurança.
O chefe da polícia de San Bernardino, Jarrod Burguan, informou que 12 artefatos explosivos foram encontrados na residência do casal, além de uma impressionante quantidade de munição: 1.600 balas de fuzil em um carro e outras 5 mil na casa.
Os dois também teriam deixado três bombas artesanais no local do ataque, dispositivos que foram desativados por peritos.
Durante o massacre, o casal realizou entre 65 e 75 disparos, disse Burguan, acrescentando que "até o momento não encontramos o motivo, mas não descartamos a possibilidade de terrorismo".
O subdiretor do FBI em Los Angeles, David Bowdich, admitiu que um ato terrorista "é uma possibilidade, mas ainda não sabemos".
O país se pergunta porque Syed Farook e sua esposa Tashfeen Malik invadiram, com toda a pompa de um comando, um prédio do serviço social de San Bernardino, onde acontecia uma festa de fim de ano, depois de deixar o seu bebê com a avó.
Os dois, fortemente armados, abriram fogo contra colegas de Farook matando 14 pessoas e ferindo outras 20, no pior massacre nos Estados Unidos nos últimos três anos.
Um dos imames da mesquita na qual Syed Farook rezava, Mahmood Nadvi, afirmou nesta quarta-feira que jamais detectou sinais de radicalização no jovem.
"Nunca vimos sinais de radicalização" em Farook, disse Nadvi, 39 anos, encarregado de conduzir as leituras na mesquita Dar Al Uloom Al Islamiyah da cidade de San Bernardino.
"Os atos que vimos não representam o que diz o Alcorão. Eles mataram irmãos e irmãs", acrescentou o religioso.
Desde 2013, Farook comparecia duas ou três vezes por semana nesta mesquita, geralmente para a oração das 13H00, porque coincidia com seu horário de almoço.
"Era um homem reservado, tímido, tranquilo, simples, que nunca faltava ao respeito com ninguém", contou Gasser Shehata, 42 anos, que frequenta a mesquita.
A pequena comunidade muçulmana de San Bernardino, onde vivem cerca de 210 mil pessoas, tem medo de represálias após o massacre cometido por Farook e Malik.
"Pedimos à polícia que amanhã garanta a segurança da nossa mesquita" para a oração de sexta-feira, a mais importante da semana, explicou Shehata.