Brasília mantém sua rejeição ao candidato proposto pelo governo israelense, um empresário de origem argentina que dirigiu, entre 2007 e 2013, o Conselho de Yesha, a principal organização de colonos nos Territórios Palestinos ocupados. Vive na Cisjordânia ocupada e se opõe à criação de um Estado palestino.
Depois de ter-se mantido firme em suas posições, Israel pareceu ceder, hoje, nesta queda de braço. O porta-voz do Ministério israelense das Relações Exteriores, Emmanuel Nahshon, chegou a anunciar a reabertura das candidaturas para o posto.
Pelo menos 1h15 mais tarde, informou que se tratava de um "lamentável erro burocrático", acrescentando que "Danny Dayan continua sendo o embaixador nomeado de Israel".
Danny Dayan reagiu com ambivalência sobre o assunto.
"Por cerca de uma hora, fiquei feliz de ter saído dessa situação incômoda em que me encontro, ao mesmo tempo em que lamento que o Estado de Israel tenha cedido ao boicote", disse ele no Twitter.
"Agora é o contrário", completou.
Considerada ilegal do ponto de vista da comunidade internacional, a construção de novas colônias é vista como um obstáculo maior para a criação de um Estado palestino e para o processo de paz.
O Brasil reconheceu o Estado da Palestina em 2010 e já manifestou, em diferentes ocasiões, seu apoio à causa palestina.
Em 2014, o Brasil convocou seu embaixador em Israel para consulta para protestar pelo "uso desproporcional da força" durante a guerra na Faixa de Gaza. A medida foi criticada pelos israelenses.
A ministra adjunta das Relações Exteriores, Tzipi Hotovely, mostrou sua determinação, em fevereiro, e declarou que o Ministério poria "todos os meios a sua disposição para fazer validar a nomeação de Danny Dayan".
"Não aceitaremos uma situação, na qual nós não nomeamos um embaixador por culpa de suas opiniões políticas", insistiu.