A festa colombiana só não foi completa porque James deixou a torcida preocupada a 20 minutos do fim, quando pediu para sair por sentir dores no ombro ao cair de mau jeito depois da entrada dura de um marcador.
A outra partida válida pelo equilibrado grupo A será disputada neste sábado, em Seattle, com o duelo entre a Costa Rica, que surpreendeu a todos ao chegar às quartas de final da Copa do Mundo em 2014, e o Paraguai, carrasco do Brasil nas quartas de final das últimas duas edições da Copa América.
A seleção brasileira também estreia no sábado, contra o Equador, no Rose Bowl de Pasadena, palco da final da Copa do Mundo de 1994, onde Dunga levantou a taça do tetra.
- Infantino sorridente apesar dos escândalos -
Apesar do interesse relativo dos americanos pelo futebol, com atenção mais voltada para as Finais da NBA, envolvendo o Golden State Warriors, cujo ginásio é localizado a menos de 50 quilômetros de Santa Clara, o estádio estava praticamente lotado.
Muitos dos 65.000 lugares eram preenchidos por torcedores colombianos, colorindo as arquibancadas de amarelo.
A cerimônia de abertura foi bastante simples, a anos-luz do show do Superbowl, em fevereiro deste ano, quando Beyoncé e Coldplay eram os grandes astros da festa.
Desta vez, os artistas eram menos conhecidos. A banda de reggae-pop Magic!, que tocou no Rock in Rio no ano passado, abriu o show, seguida do cantor colombiano de Reggaeton J Balvin e do americano de origem haitiana Jason Derulo.
Durante a apresentação, um bandeirão apareceu no meio do gramado com a frase em espanhol: "Celebrando cem anos de Copa América".
A presença mais notada, no entanto, foi a do presidente da Fifa, Gianni Infantino, que vive um momento conturbado, em meio a relatos da imprensa alemã de que estaria sendo investigado pela justiça interna da própria entidade por ter pedido para apagar gravações de reuniões.
Na manhã desta sexta-feira, a própria Fifa soltou outra bomba ao denunciar um esquema montado pelo ex-presidente Joseph Blatter - antecessor de Infantino - com seus colaboradores mais próximos, Valcke e Markus Kattner, que dividiram 80 milhões de dólares "em um esforço coordenado de enriquecimento pessoal".
Em Santa Clara, Infantino apareceu sorridente, apertou a mão dos jogadores das duas equipes e recebeu uma réplica do troféu da Copa América das mãos do presidente atual da Conmebol, Alejandro Domínguez.
- Olé x USA -
Jogando de azul marinho, a Colômbia entrou em campo com uma seleção rejuvenescida, e mostrou que possui uma geração talentosa.
O técnico José Pekerman resolveu escalar um time mais leve, apostando na habilidade dos meias Cuadrado, Cardona e James Rodríguez, com Carlos Bacca sozinho lá na frente.
A estratégia deu certo. Os 'Cafeteros' envolveram os americanos no toque de bola e acabaram abrindo o placar com um autêntico golaço, com apenas sete minutos de jogo.
Em cobrança de escanteio, o Zapata conseguiu se desvencilhar da marcação e fuzilou o goleiro com um foguete de primeira da marca do pênalti.
A reação americana só veio aos 35, com Alejandro Bedoya, que nasceu em Nova Jersey de pais colombianos. Seu avô e seu pai foram jogadores profissionais no seu país de origem. O meia recebeu livre na entrada da área e encheu o pé, mas chutou para fora.
Foi justamente quando a seleção americana vinha crescendo que saiu o segundo gol da Colômbia, em decisão polêmica da arbitragem.
Aos 41, o juiz marcou pênalti por toque de mão de DeAndré Yedlin, que desviou com o braço um cruzamento de Diáz, na aparente tentativa de proteger o rosto da bolada.
James Rodríguez, que nada teve a ver com isso, cobrou com perfeição, deslocando o goleiro para fazer 2 a 0.
Com o placar confortável, o segundo tempo foi uma formalidade para os colombianos, que se contentaram em colocar os americanos na roda, aos 'gritos' de "Olé" da torcida.
O público local até respondeu com brado de "USA" em algumas chances criadas pelos Estados Unidos em lances isolados de bola parada.
Aos 18, o goleiro Ospina se esticou todo para tirar uma cobrança de falta de Dempsey que tinha endereço certo no ângulo.
Bacca quase anotou o terceiro da Colômbia aos 31, mas acertou o travessão. Os 'Cafeteros' venceram com surpreendente tranquilidade, em ritmo de treino, mas deixam a Califórnia preocupados com a lesão no ombro de James.
O próximo jogo será na terça-feira, contra a Costa Rica, em Chicago, enquanto os comandados de Jurgen Klinsmann tentarão se recuperar em Pasadena, diante do Paraguai.