Treze batidas foram realizadas no domingo em Bruxelas e no norte da Bélgica, com a prisão de quatro suspeitos, informou a promotoria, sem admitir a ligação entre a operação policial e os atentados de terça-feira.
Os quatro detidos serão apresentados ainda neste domingo a um juiz de instrução.
Segundo o último boletim do centro de crise, os ataques suicidas de 22 de março 31 mortos. Deste total, 28 foram identificadas formalmente, sendo 15 do atentado ao aeroporto e 13 do atentado ao metrô.
Os três autores dos ataques suicidas - dois do aeroporto e um do metrô - não estão incluídos na contagem de 31 mortos.
As homenagens às vítimas dos atentados foram perturbadas neste domingo por manifestantes nacionalistas que invadiram a praça transformada em memorial na capital belga.
A polícia precisou fazer uso de canhões de água para dispersar 300 manifestantes vestidos de preto que gritavam "somos hooligans", "estamos em casa", repetindo slogans violentos contra o grupo extremista Estado Islâmico, que reivindicou os ataques.
"Estado cúmplice do Daesh", gritaram ainda alguns nacionalistas, que lançaram objetos incendiários contra as forças de ordem.
Uma dezena de nacionalistas foi detida, segundo a polícia, e o primeiro-ministro belga, Charles Michel, "condenou firmemente os distúrbios"
"Somos torcedores de futebol, não temos nada a ver com política. Estamos aquí pelas vítimas, para prestar homenagem", disse Andrés, um seguidor do FC Bruges.
Neste clima de tensão, uma "marcha contra o medo" prevista para este domingo precisou ser anulada, com as autoridades justificando que a polícia devia dar prioridade à luta antiterrorista.
- Novas operações -
Quatro pessoas foram colocadas sob custódia neste domingo após treze novas operações antiterroristas em várias cidades da Bélgica, cinco dias depois dos atentados.
Quatro operações de busca foram realizadas em Mechelen e uma em Duffel, duas cidades na região de Flandres, no norte. Outras oito ocorreram em vários distritos de Bruxelas.
"No total, nove pessoas foram encaminhadas para interrogatório" como parte da investigação terrorista, mas "cinco entre elas foram liberadas", de acordo com a promotoria.
Os investigadores ainda tentam confirmar se o único suspeito indiciado em conexão direta com os ataques jihadistas de terça-feira, Faisal Cheffou, é, como acreditam, "o homem de chapéu" que plantou uma bomba no aeroporto de Bruxelas-Zaventem ao lado de dois homens-bomba, Ibrahim El Bakraoui e Najim Laachraoui.
Esses dois homens, bem como o suicida do metrô de Bruxelas, Khalid El Bakraoui, estão intimamente relacionados com os autores dos ataques de Paris em 13 de novembro.
Na Holanda, a polícia deteve neste domingo um cidadão francês de 32 anos suspeito de preparar um atentado, em uma operação solicitada pela França, anunciou a promotoria local.
"As autoridades francesas solicitaram na sexta-feira a detenção de um francês" suspeito de "preparar um atentado terrorista", disse um funcionário da promotoria.
Segundo a fonte, havia um mandato de busca contra o suspeito, natural dos arredores de Paris, desde 24 de dezembro de 2015, por associação criminosa para cometer atos terroristas.
Um funcionário da polícia francesa revelou que o suspeito detido recebeu instruções do grupo Estado Islâmico para cometer um atentado na França junto com Reda Kriket, que foi preso na quinta-feira passada, nos arredores de Paris.
Kriket, 34 anos, havia sido condenado à revelia em Bruxelas em julho de 2015, junto com Abdelhamid Abaaoud, por integrar um braço jihadista na Síria. Morto cinco dias após os ataques em Paris, suspeita-se que Abaaoud teve um papel-chave nos ataques de 13 de novembro.
Uma prisão na Itália e uma nova acusação na Bélgica ilustraram, mais uma vez, a estreita ligação entre as redes jihadistas francesa e belga, que veio à tona com os ataques que mataram 130 pessoas em 13 de novembro em Paris e 28 em Bruxelas na terça-feira, de acordo com um balanço revisado.
Um argelino de 40 anos, Jamal Eddin Wali, foi preso no sábado na Itália, a pedido dos tribunais belgas. Ele é suspeito, segundo a imprensa italiana, de envolvimento na falsificação de documentos usados por membros dos comandos de Paris e Bruxelas.