Por sua parte, o governo do presidente socialista François Hollande vai adotar rapidamente "novas medidas para incentivar a criação de emprego", segundo uma fonte do governo, que não entrou em detalhes. O desemprego endêmico (que atinge 3,59 milhões de pessoas) é o ponto franco do presidente e o principal obstáculo para a sua candidatura a um novo mandato.
Sua popularidade se recuperou após os atentados terroristas de 13 de novembro em Paris (130 mortos e centenas de feridos) e ele tem beneficiado do impacto positivo do acordo internacional sobre o clima (COP21), alcançado no último fim de semana na capital francesa.
Confrontado com a ascensão da extrema-direita, ele deve, no entanto, expandir seu eleitorado alcançando resultados com suas reformas econômicas, para chegar ao segundo turno da eleição presidencial.
Na direita, os resultados regionais fragilizaram Nicolas Sarkozy antes das eleições primárias de seu partido programadas para 2016. Seu partido saiu vencedor no domingo, mas muito distante dos resultados esperados, com sete regiões contra cinco do Partido Socialista (PS), que abriu mão da disputa em algumas regiões para limitar os danos.
A formação de extrema-direita Frente Nacional (FN) não conseguiu conquistar a liderança de qualquer região. No entanto, consolidou seu peso no cenário político.
Para este teste final antes da eleição presidencial, o partido registrou um recorde de 6,8 milhões de votos.
"Nada pode nos parar", proclamou sua presidente, Marine Le Pen, denunciando "os excessos e os perigos de um sistema agonizante", depois de sua derrota no norte face a um adversário de direita apoiado pelo esquerda.
'Velhas ideias'
O influente jornal Le Monde lançou um apelo nesta segunda-feira para que os líderes do país "ajam antes do desastre".
Nicolas Sarkozy justificou a criação de uma "nova equipe" entre os republicanos por "razões de fundo e coerência".
"Pensar que o partido se fortalece com a purga é, em si, uma velha ideia stalinista", respondeu Nathalie Kosciusko-Morizet. " A exclusão nunca é uma boa resposta", acrescentou o ex-primeiro-ministro Alain Juppé, principal rival de Sarkozy nas primárias.
A vice-presidente do LR, "NKM", como é apelidada, reiterou no domingo à noite suas críticas contra a estratégia de "ni, ni" (nem PS, nem FN) do ex-chefe de Estado e sua estratégia de competir em temas preferidos de Le Pen: segurança, imigração, identidade.
"Esta estratégia vai nos levar a bater a cabeça contra a parede", denunciou, por sua vez, Bruno Le Maire, que representa a geração mais jovem do partido.
Outro ex-chefe de governo de direita e crítico de Nicolas Sarkozy, Jean-Pierre Raffarin convidou sua família política a "trabalhar com o governo" para "lutar juntos" contra a FN.
"Os líderes políticos de todos os movimentos devem ser capazes, quando necessário, de construir juntos", defendeu no domingo, na mesma direção do primeiro-ministro socialista Manuel Valls, para quem "o perigo da extrema-direita não está descartado".
A "frente republicana" esquerda-direita, que permitiu bloquear a FN nas eleições regionais, pode ser usada para apresentar François Hollande como o melhor baluarte contra Marine Le Pen em 2017, considera seu próprio campo.
Próximo do atual chefe de Estado, o líder dos deputados socialistas, Bruno Le Roux, argumentou nesta segunda-feira a ideia de um "grande partido de esquerda reformista", voltado para outras sensibilidades e a sociedade civil para "regenerar" o PS que "já não é querido".