O Supremo Tribunal de Justiça (TSJ) da Venezuela descartou a possibilidade de que o Parlamento de maioria opositora reduza o mandato do presidente Nicolás Maduro, como tinha sido proposto por emenda constitucional, segundo sentença publicada nesta segunda-feira.

A Sala Constitucional do TSJ determinou que qualquer emenda que se pretenda fazer à Carta Magna "não pode ter efeitos retroativos no tempo ou ser de aplicação imediata", pois isto "constituiria um rompimento inquestionável ao exercício da soberania (.

..), já que estaria se desconhecendo a vontade do povo", destaca o boletim da corte.

A mais alta corte venezuelana proferiu a sentença depois que a bancada da oposição na Assembleia Nacional aprovou em primeira instância uma emenda que planeja reduzir de seis para quatro anos o mandato de Maduro, que em 19 de abril cumpriu a metade do mandato em meio a uma aguda crise econômica.

A sentença adverte que "tenta utilizar a figura da emenda constitucional com a finalidade de encurtar imediatamente o exercício de um cargo de eleição popular, como o do Presidente da República, constitui uma fraude à Constituição".

Em sua primeira reação à sentença, o presidente do Parlamento, Henry Ramos Allup, negou em um post no Twitter que a emenda contradiga a Carta Magna e criticou que o TSJ se pronunciasse antes da aprovação do texto definitivo, em segunda instância.

"Fraude constitucional são vocês. Vocês vão ver", advertiu, referindo-se aos magistrados da Sala Constitucional, aos quais chamou de "malfeitores".

A emenda - um instrumento que deve ser referendando por voto popular - pretende eliminar a reeleição indefinida e limitá-la a uma única vez.

A decisão aprofunda o conflito de poderes que sacode a Venezuela desde 5 de janeiro passado, quando a coalizão de partidos Mesa da Unidade Democrática (MUD) assumiu o controle do Parlamento com ampla maioria, após 17 anos de hegemonia chavista.

Leis prioritárias para o bloco opositor como uma anistia para dissidentes presos ou uma reforma do Banco Central foram declaradas inconstitucionais pela máxima corte do país.

Da mesma forma, o TSJ manteve um decreto de emergência econômica, emitido por Maduro em janeiro passado, que o bloco opositor recusou convalidar, e cortou as faculdades de controle legislativo sobre os poderes judiciário, eleitoral e cidadão.

Por isso, a MUD acusa o TSJ de ser a "banca jurídica" do governo.

No começo de abril, o presidente socialista (2013-2019) assegurou que avaliaria uma proposta para reduzir o mandato do atual Parlamento se a Casa insistisse em aprovar a emenda, a qual considera um "golpe" contra seu governo.

Referendo revogatório truncado

Na luta para obter a saída de Maduro, a oposição também aprovou um projeto de lei que encurta os prazos para um referendo revogatório.

A norma, que deve ser sancionada pelo presidente para se tornar lei, fixa um prazo de três meses e meio para organizar e celebrar referendos, inclusive o revogatório de cargos de eleição popular.

No entanto, o Poder Eleitoral negou-se a ativar o mecanismo, alegando que os demandantes da consulta não cumpriram com os requisitos.

Por isso, a oposição convocou seus simpatizantes a protestar nesta quarta-feira em frente à sede do Conselho Nacional Eleitoral (CNE).

O ex-candidato presidencial Henrique Capriles disse que a sentença do TSJ contra a emenda demonstra que o referendo revogatório é a alternativa mais viável para se obter a saída de Maduro.

"O revogatório não está sujeito a qualquer interpretação (...). O problema hoje não é reformar a Constituição, mas sim garantir sua aplicação".

A MUD exige que o Poder Eleitoral entregue planilhas para arrecadar as 200 mil assinaturas necessárias para ativar o mecanismo.

Antecipando-se a uma nova negativa da organização eleitoral, Ramos reportou no Twitter que o "CNE diz que não aceitará chantagens, nem pressões". No entanto, questionou: "chantagens e pressões do CNE e de grupo malandro pró-governo é o que a Venezuela sofreu".

Para convocar o referendo revogatório são necessários, ainda, quatro milhões de assinaturas e para revogar o mandato de Maduro, cerca de 7,5 milhões de votos.

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