O técnico do Chelsea, José Mourinho, durante partida contra o Stamford Bridge, em Londres, no dia 9 de dezembro de 2015 O técnico do Chelsea, José Mourinho, durante partida contra o Stamford Bridge, em Londres, no dia 9 de dezembro de 2015

José Mourinho negou qualquer responsabilidade pessoal nos problemas do Chelsea e acusou os jogadores de traição, após uma nova derrota no Campeonato Inglês, desta vez para o Leicester, um resultado que deixa o técnico português na corda bamba.

"Sinto que meu trabalho foi traído", declarou Mourinho, após a desastrosa partida dos 'Blues' diante do líder Leicester, que venceu por 2 a 1 e dominou o jogo.

"Trabalhei quatro dias nesta partida e preparei tudo em relação aos rivais. Identifiquei quatro movimentos que eles usam para marcar quase todos seus gols e em duas dessas situações que identifiquei eles marcaram seus gols", lamentou.

Nunca um atual campeão da Premier League iniciou o campeonato seguinte de maneira tão desastrosa. O Chelsea está na 16ª colocação, com apenas 14 pontos em 16 jogos, a um ponto da zona de rebaixamento.

O quarto lugar na Premier League está a 15 pontos de distância e o português já descartou a possibilidade de alcançá-la e garantir a vaga na próxima Liga dos Campeões.

Mourinho lançou um aviso aos jogadores para as próximas rodadas, começando pela partida contra o Sunderland, penúltimo colocado, em Stamford Bridge no sábado.

"Neste momento, os jogadores não podem se sentir superestrelas. Eles têm que pensar: 'não sou o jogador do ano, não sou campeão do mundo, não sou campeão da Premier League'", criticou, claramente referindo-se ao belga Eden Hazard e ao espanhol Cesc Fábregas, dois dos principais nomes da equipe e que não vêm rendendo o esperado nesta temporada.

"Eles têm que olhar para os jogadores do Leicester e sentir que eles é que são os grandes jogadores, têm que olhar para o Sunderland e o Watford e saber que estão no mesmo nível", afirmou.

- Um problema recurrente -

A situação de Mourinho lembra a dos últimos meses no Real Madrid, quando viveu uma terceira temporada infernal que culminou com a saída do clube e foi marcada por bater de frente com pesos-pesados do vestiário merengue.

Mourinho, de 52 anos, nunca chegou a treinar um grande clube por uma quarta temporada, nem o Porto, nem a Inter de Milão, nem o Real Madrid e tampouco o Chelsea. Na primeira passagem no clube londrino, entre 2004 e 2007, o técnico português chegou a iniciar a quarta temporada no comando do time, mas saiu em setembro.

Para o italiano Fabio Capello, que treinou o Milan e o Real Madrid, "Mourinho queima seus jogadores depois de um ano e meio, no máximo dois. Ouvi isso quando estive em Madri e agora isso se confirma em Londres".

Contudo, o proprietário do clube, o bilionário russo Roman Abramovich, poderia dar mais tempo a Mourinho por falta de um sucessor à altura, depois do italiano Carlo Ancelotti descartar volta ao time que comandou em 2011.

"Quando Mourinho voltou, foi estabelecido um plano a longo prazo. O que vão ganhar demitindo ele agora?", perguntou na segunda-feira Frank Lampard, histórico ex-jogador do Chelsea.

"Provavelmente não conseguiria terminar entre os seis primeiros de qualquer jeito. Tampouco acho que vão cair à segunda divisão, então suponho que Roman Abramovich está dizendo: 'vamos esperar um pouco, vamos ver o que acontece no fim da temporada'", completou.

Joga a favor de Mourinho o fato do Chelsea estar vivo na Copa da Inglaterra e, principalmente, na Liga dos Campeões, na qual medirá forças nas oitavas de final com o Paris Saint-Germain, algoz na temporada passada.

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