O suspeito teria "problemas psíquicos e de drogas" e os investigadores não encontraram "até o momento" uma motivação islamita, anunciaram as autoridades alemãs depois de terem citado inicialmente a uma pista islamita.
"Não temos até o momento indicações sobre uma motivação islamita, mas as investigações prosseguem. Há nesta pessoa problemas psíquicos e de drogas", declarou Oliver Platzer, porta-voz do ministério bávaro do Interior.
Ao mesmo tempo, o ministro federal do Interior, Thomas de Maizière, afirmou à imprensa que não desejava acrescentar mais nada às especulações sobre as motivações do agressor, que foi preso no local do crime.
O ministro bávaro do Interior, Joachim Hermann, indicou, por sua vez, que "a motivação ainda não é conhecida" e que o suspeito "atraiu a atenção da polícia há dois ou três dias em um outro estado".
"Ele se comportava de maneira muito estranha", afirmou.
Mais cedo, um porta-voz da Promotoria havia afirmado que o "agressor fez declarações no local do crime que indicam motivos políticos, aparentemente islamitas".
De acordo com a imprensa local, que cita testemunhas, o homem gritou "Alá Akbar ("Deus é grande"). O agressor foi detido no local do crime, nesta pequena cidade de 13.000 habitantes.
"Tudo isto deve ser esclarecido", disse Joachim Hermann.
O homem, um alemão de Hesse (oeste), não era de "origem imigrante", segundo as autoridades.
A agressão aconteceu às 5h00 (00h00 no horário de Brasília) contra quatro homens, o primeiro em um trem, o segundo na plataforma da estação de S-Bahn de Grafing e os outros dois no exterior da estação, segundo a polícia.
Um homem de 56 anos não resistiu aos ferimentos, de acordo com as autoridades, que em um primeiro momento haviam indicado que a vítima tinha 50 anos. Os feridos têm 58, 43 e 55 anos.
EI convocou ataques com faca
Esta agressão ocorre após uma série de agressões a faca com motivações islamitas no país desde setembro. As duas anteriores aconteceram contra policiais.
Em agosto de 2015, o grupo Estado Islâmico (EI) fez uma convocação para ataques com faca na Alemanha.
No fim de março, uma adolescente de 15 anos, com nacionalidade alemã e marroquina, feriu gravemente um policial na estação de Hannover durante um controle de rotina.
De acordo com a imprensa, a jovem passou pela fronteira Turquia-Síria antes que sua mãe, preocupada com sua radicalização, viajasse para buscá-la e para levar a adolescente de volta a Alemanha.
Em setembro, a polícia matou um iraquiano de 41 anos que havia atacado uma agente com uma faca em Berlim. O agressor estava em liberdade condicional, depois de ter cumprido pena por integrar uma organização "terrorista" e por planejar um atentado contra o primeiro-ministro iraquiano em 2004.
Neste caso, a arma utilizada pelo agressor, Rafik Youssef, também foi uma faca.
A Alemanha não foi afetada até o momento por um atentado jihadista de magnitude, ao contrário dos países vizinhos como França e Bélgica, mas dois combatentes de língua alemã, que afirmaram pertencer ao grupo EI na Síria, ameaçaram o país e a chanceler Angela Merkel em agosto de 2015.
Ambos convocaram os "irmãos e irmãs" a cometer atentados solitários "com faca" contra os "infiéis". Eles prometeram vingança do apoio alemão à luta contra o EI e à presença do exército alemão no Afeganistão.
Desde os atentados de 13 de novembro em Paris, o governo alemão afirma que o país também é um alvo para os extremistas, especialmente os que retornam da Síria ou Iraque.
De acordo com fontes do serviço de segurança interno, 740 pessoas deixaram a Alemanha para lutar ao lado de grupos jihadistas na Síria ou Iraque. Quase um terço retornou ao país. Do total, 120 morreram no exterior.