Chanceler alemã, Angela Merkel, chega ao Conselho da UE para reunião da cúpula do bloco, em 19 de fevereiro de 2016, em Bruxelas Chanceler alemã, Angela Merkel, chega ao Conselho da UE para reunião da cúpula do bloco, em 19 de fevereiro de 2016, em Bruxelas

A União Europeia (UE) não pode deixar a Grécia "mergulhada no caos" diante do fluxo migratório em seu território - afirmou a chanceler alemã, Angela Merkel, no momento em que milhares de refugiados estão bloqueados no país após o fechamento das fronteiras nos países na rota dos Bálcãs.

"Vocês podem acreditar, seriamente, que os países da zona euro lutaram até o fim para que a Grécia se mantenha na mesma (...) porque um ano depois, já no final, deixamos, vamos dizer assim, a Grécia mergulhada no caos?", questionou Merkel, em declarações à emissora pública de televisão ARD.

"Não vamos abandonar Atenas desta maneira", vaticinou.

"Meu maldito dever e minha obrigação é que esta Europa deve encontrar um caminho conjunto", defendeu a chanceler, com uma linguagem pouco comum.

"Acho que não podemos agir de modo a abandonar a Grécia. Por isso, vamos tratar, na próxima segunda-feira [7 de março, durante a cúpula da UE] como vamos restabelecer o sistema [de livre circulação] Schengen passo a passo com a Grécia", afirmou a chanceler, que disse permanecer em contato, habitualmente, com o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras.

A Grécia é a porta de entrada para os imigrantes na Europa, especialmente os sírios, que fogem da guerra através da Turquia e tentam obter o status de refugiado na Europa. Para muitos deles, a Alemanha é seu destino final.

O país teme que, em março, o número de refugiados bloqueados em seu território suba para 70.000 pessoas, devido à decisão de quatro países do Bálcãs - Eslovênia, Croácia, Sérvia e Macedônia - de limitar a entrada de refugiados a 580 por dia.

"Segundo nossas estimativas, o número de pessoas que ficarão bloqueadas em nossos países oscilará entre 50.000 e 70.000 no próximo mês", afirmou o ministro grego de Política Migratória, Yiannis Muzalas.

"O problema é que agiram sozinhos e arbitrariamente, e isso não é bom, quando deixamos um país de lado", continuou a chanceler alemã na entrevista à ARD.

"A responsabilidade da Alemanha é que este problema se solucione com todos os países - e não apenas às custas de um país. Foi isso que fizemos durante a crise do euro e que também devemos fazer com a crise de refugiados", insistiu.

Depois de rejeitar as medidas nacionais de fechamento de fronteiras, Merkel ressaltou que a solução passa pela luta contra os traficantes de seres humanos no Mediterrâneo, pela melhora das condições de vida dos sírios nos campos de refugiados na Turquia, na Jordânia e no Líbano, assim como pela busca de uma solução também para o conflito na Síria.

Angela Merkel disse ainda que os países europeus devem chegar a um acordo sobre as cotas para acolher os refugiados. A proposta conta com a rejeição da maioria dos Estados-membros do bloco.

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