"Vocês podem acreditar, seriamente, que os países da zona euro lutaram até o fim para que a Grécia se mantenha na mesma (...) porque um ano depois, já no final, deixamos, vamos dizer assim, a Grécia mergulhada no caos?", questionou Merkel, em declarações à emissora pública de televisão ARD.
"Não vamos abandonar Atenas desta maneira", vaticinou.
"Meu maldito dever e minha obrigação é que esta Europa deve encontrar um caminho conjunto", defendeu a chanceler, com uma linguagem pouco comum.
"Acho que não podemos agir de modo a abandonar a Grécia. Por isso, vamos tratar, na próxima segunda-feira [7 de março, durante a cúpula da UE] como vamos restabelecer o sistema [de livre circulação] Schengen passo a passo com a Grécia", afirmou a chanceler, que disse permanecer em contato, habitualmente, com o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras.
A Grécia é a porta de entrada para os imigrantes na Europa, especialmente os sírios, que fogem da guerra através da Turquia e tentam obter o status de refugiado na Europa. Para muitos deles, a Alemanha é seu destino final.
O país teme que, em março, o número de refugiados bloqueados em seu território suba para 70.000 pessoas, devido à decisão de quatro países do Bálcãs - Eslovênia, Croácia, Sérvia e Macedônia - de limitar a entrada de refugiados a 580 por dia.
"Segundo nossas estimativas, o número de pessoas que ficarão bloqueadas em nossos países oscilará entre 50.000 e 70.000 no próximo mês", afirmou o ministro grego de Política Migratória, Yiannis Muzalas.
"O problema é que agiram sozinhos e arbitrariamente, e isso não é bom, quando deixamos um país de lado", continuou a chanceler alemã na entrevista à ARD.
"A responsabilidade da Alemanha é que este problema se solucione com todos os países - e não apenas às custas de um país. Foi isso que fizemos durante a crise do euro e que também devemos fazer com a crise de refugiados", insistiu.
Depois de rejeitar as medidas nacionais de fechamento de fronteiras, Merkel ressaltou que a solução passa pela luta contra os traficantes de seres humanos no Mediterrâneo, pela melhora das condições de vida dos sírios nos campos de refugiados na Turquia, na Jordânia e no Líbano, assim como pela busca de uma solução também para o conflito na Síria.
Angela Merkel disse ainda que os países europeus devem chegar a um acordo sobre as cotas para acolher os refugiados. A proposta conta com a rejeição da maioria dos Estados-membros do bloco.