(Arquivo) Migrantes aguardam na Grécia para cruzar a fronteira com a Macedônia, em fevereiro de 2016 (Arquivo) Migrantes aguardam na Grécia para cruzar a fronteira com a Macedônia, em fevereiro de 2016

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, pediu nesta quinta-feira que os migrantes econômicos não se dirijam à Europa, durante uma viagem por Grécia e Turquia, dois países na linha de frente da crise migratória.

"Quero lançar um apelo a todos os migrantes econômicos ilegais potenciais, de onde forem.

Não venham à Europa. Não acreditem nos traficantes", disse Tusk em uma coletiva de imprensa em Atenas depois de se reunir com o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras.

"Não coloquem em risco suas vidas e seu dinheiro. Tudo isso não servirá de nada", acrescentou.

Tusk esteve em Atenas como parte de uma viagem regional pelos países mais afetados com a chegada em massa de migrantes, antes de uma cúpula UE-Turquia sobre a crise migratória em 7 de março.

O presidente do Conselho Europeu se dirigiu a Ancara, onde se reuniu com o primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu.

"Estamos de acordo quanto ao fato de que o fluxo de refugiados continua muito elevado e que são necessárias medidas adicionais", declarou Tusk à imprensa, sugerindo a implementação de um "mecanismo rápido e de grande escala destinado a mandar de volta os migrantes irregulares que chegam na Grécia".

Davutoglu respondeu que "nem a Turquia, nem a Europa, são responsáveis pela crise síria. Mas são aqueles que sofrem as consequências", afirmando que seu país fará "todo o possível" para lutar contra a migração ilegal.

A União Europeia propôs na quarta-feira um pacote de ajuda humanitária de 700 milhões de euros para os países mais afetados por esta crise, entre eles a Grécia, onde cerca de 10.000 migrantes que buscam chegar ao norte da Europa seguem bloqueados na fronteira macedônia como consequência das novas restrições impostas por vários países dos Bálcãs.

Tusk criticou estas decisões unilaterais que - disse - prejudicam o espírito europeu de solidariedade.

Mais de 130.000 migrantes chegaram à Europa desde janeiro, segundo números do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

A maioria dos migrantes passaram pela Grécia depois de cruzar o Mediterrâneo a partir da Turquia.

Segundo o vice-ministro da Defesa grego, Dimitres Vitsas, o número atual de migrantes em seu país é de quase 32.000, dos quais "6.857 se encontram nas ilhas (do Egeo) e 24.985 no continente".

Grave crise humanitária

A ajuda da UE poderá ser destinada a qualquer país do bloco em situação excepcional, mas "irá, em grande medida, à Grécia, que vive a crise humanitária mais grave", disse o comissário europeu de Ajuda Humanitária, Christos Stylianides.

A Grécia advertiu na terça-feira que "não é capaz de administrar todos os refugiados que chegam" ao seu território e disse que precisa de 480 milhões de euros para acolher um total de 100.000 refugiados.

A Macedônia, por sua vez, deixou 300 refugiados sírios e iraquianos passarem na quarta-feira por sua fronteira com a Grécia.

Estes são os primeiros grupos de migrantes autorizados a cruzar sua fronteira, ponto de passagem da rota dos Bálcãs para seguir caminho ao norte da Europa, desde os confrontos travados na segunda entre migrantes e policiais da Macedônia.

Perto da localidade grega fronteiriça de Idomeni, em um acampamento para 1.600 pessoas, a situação humanitária seguia piorando. "Entre sexta-feira e domingo, o número de pessoas neste acampamento passou de 4.000 a 8.000. E agora estamos em 9.000", explicou Jean-Nicolas Dangelser, do Médicos Sem Fronteiras (MSF) em Idomeni.

A Áustria, por sua vez, convocou nesta quinta-feira a Grécia a não deixar mais migrantes passarem ao norte da Europa.

Desmantelamento de Calais

Na França, o desmantelamento de uma parte do acampamento de imigrantes em Calais (note) foi retomado nesta quinta-feira.

Como nos dias anteriores, as operações ocorriam com a presença de um importante dispositivo policial de proteção.

Segundo as autoridades francesas, um hectare foi evacuado durante a semana, do total previsto de 7,5 hectares.

Entre 800 e 1.000 pessoas vivem no setor sul da "selva" que será desmantelado, mas as associações estimam este número em 3.450. O objetivo é recebê-las em abrigos em Calais ou em outras cidades da França.

Em todo o acampamento há entre 3.700 e 7.000 migrantes, em sua maioria sírios, afegãos e sudaneses que querem passar à Grã-Bretanha.

Neste contexto, o presidente francês François Hollande pediu nesta quinta em Amiens (norte) ao primeiro-ministro britânico, David Cameron, que os migrantes menores de idade e desacompanhados em Calais possam entrar rapidamente no Reino Unido se tiverem família do outro lado do Canal da Mancha.

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