Na tradicional classificação da revista, Merkel foi seguida como figura global mais influente pelo líder do grupo jihadista Estado Islâmico (EI), Abu Bakr al Bagdadi, e pelo pré-candidato republicano à Casa Branca, o controverso multimilionário Donald Trump.
"Por pedir mais de seu país que a maioria dos políticos ousariam, por se manter firme contra a tirania e por proporcionar liderança moral em um mundo em que isso está em falta, Angela Merkel é a Personalidade do Ano da Time", escreveu a editora Nancy Gibbs.
No ano passado, a Time escolheu os médicos, enfermeiros e trabalhadores sanitários que combatiam a epidemia do ebola na África Ocidental e, em 2013, foi a vez do papa Francisco, o primeiro latino-americano a alcançar o cargo máximo da Igreja católica.
"A perspectiva de uma bancarrota grega ameaçou a existência da zona do euro. A crise dos migrantes e refugiados desafiou o princípio de fronteiras abertas. E, finalmente, a carnificina em Paris reviveu o reflexo de fechar portas, construir muros e não confiar em ninguém. Em cada ocasião, Merkel deu um passo à frente", escreveu a Time.
"A Alemanha resgatou a Grécia, com suas condições rígidas. Recebeu refugiados como vítimas da selvageria do islamismo radical, não como portadores dele", continuou, ao explicar como Merkel reagiu diante destes problemas cruciais.
A Alemanha registrou a chegada de mais de 960.000 migrantes durante o ano procedentes de Síria, Iraque e Afeganistão, palcos de conflitos que já duram mais de dez anos, em alguns casos.
Em meio ao debate aberto pelos que consideram que a Europa era invadida por este fluxo de pessoas, Merkel adotou uma posição audaz convocando seu país a se mostrar solidário e dar o exemplo com estes demandantes de asilo.
Encorajamento para continuar
Com 61 anos, Merkel é chanceler alemã desde 2005 e é considerada a mulher mais poderosa do mundo.
"Estou certo de que a chanceler verá isto como um encorajamento para acelerar seu trabalho político pelo bem da Alemanha e da Europa", reagiu pouco depois do anúncio um porta-voz de Merkel, Steffen Seibert.
Em sua lista de 2015, a Time colocou em quarto lugar os ativistas da organização Black Lives Matters, que protestam pelos controversos casos de afroamericanos mortos pelas mãos de policiais brancos, e em quinto o presidente iraniano, Hassan Rouhani.
A designação da "Personalidade do Ano" é uma tradição anual da Time desde 1927.
A figura eleita ocupa a capa da edição de fim de ano da revista.