"Nós nos preparamos da melhor forma possível", disse à AFP um encarregado da luta antiterrorista, sob a condição de ter sua identidade preservada. "Todo mundo está mobilizado, a polícia, guarda civil, militares. O único problema é a ameaça. E sobre esse tema, sinceramente, estou preocupado".
"O que mais tememos são as pessoas que já estão aqui, na Europa. E a priori, esse é o caso", acrescentou.
"Pessoas, por exemplo, que estão na Alemanha, que não vimos passar, que os alemães não localizaram e que desde então aguardam pacientemente. Restabelecemos algumas fronteiras, mas não há como saber, as fronteiras são incontroláveis", afirmou.
"A ameaça existe"
Em 13 de maio, a milhares de quilômetros da França, homens armados atacaram um café na cidade iraquiana de Balad, um ponto de encontro dos torcedores do Real Madri. O balanço deste atentado, reivindicado pelo grupo Estado Islâmico (EI), que em seguida atacou as forças de segurança, foi de ao menos 16 mortos.
"É uma mensagem direta" para a Eurocopa, estimou este mesmo funcionário. "Talvez tenha sido para nos assustar, e conseguiram".
Existe um consenso de que a França seja um alvo, inclusive agora é o alvo número um do grupo Estado Islâmico. "Sabemos que o EI planeja novos ataques, e França está na mira", declarou reticente o diretor-geral de Segurança Interior (DGSI), Patrick Calvar.
"A ameaça existe" mas "não podemos nos impressionar", disse no domingo o presidente francês, François Hollande.
Na segunda-feira, os serviços secretos ucranianos informaram sobre a prisão, em maio, de um francês que preparava 15 atentados na França durante a Eurocopa (10 de junho - 10 de julho).
O francês detido confessou aos serviços secretos ucranianos (SBU) sua oposição "à política de seu governo sobre a chegada massiva de estrangeiros à França, a difusão do islamismo e a globalização". Entre seus alvos estavam mesquitas, sinagogas e centros fiscais.
Estádios e "fan zones" sob alerta
Na semana passada, o departamento de Estado americano lançou uma advertência: "os estádios da Eurocopa, as 'fan zones' e todos os lugares onde serão transmitidos o torneio na França e na Europa são potenciais alvos para terroristas".
Os estádios e os espaços de acolhidas os torcedores serão vigiados de perto.
Mas os ataques de Paris em novembro, onde os atiradores abriram fogo indiscriminadamente contra civis que estavam em bares e restaurantes, mostraram que este tipo de ataque tem um impacto de terror idêntico, ou até superior. Se atacarem um bar cheio de gente, estarão golpeando simbolicamente a Eurocopa.
"Não há nada mais fácil do que organizar um atentado (...) Sair em um veículo e disparar contra a multidão, é algo que muita gente pode fazer", disse recentemente à AFP o diretor do instituto de Relações Internacionais e Estratégicas (IRIS), Pascal Boniface.
"E se o EI reivindicar e anunciar outros (ataques), todo mundo irá embora. De toda forma, como poderíamos continuar com o campeonato se ao mesmo tempo enterramos os mortos?", se perguntou um alto responsável terrorista.