Os talibãs convocaram no domingo uma "shura" (conselho central) de emergência para designar o sucessor e, após três dias de deliberações, escolheram o mulá Hebatullah, uma figura não muito conhecida, que foi um colaborador próximo de Mansur.
O novo líder, com idade por volta de 50 anos, não conquistou suas credenciais nos campos de batalha, e sim como magistrado islâmico durante os cinco anos em que os talibãs permaneceram no poder (1996-2001). É considerado o autor de vários regulamentos para a aplicação das leis corânicas de acordo com as rigorosas interpretações do islã pregadas pelos talibãs.
Depois da invasão americana em 2001, foi o diretor para assuntos judiciais da insurreição islamita, segundo um porta-voz dos talibãs.
Um movimento dividido
Habatullah terá a difícil missão de unificar as diversas tendências de seu movimento a respeito da eventual retomada das negociações de paz com o governo afegão.
A designação foi decidida por unanimidade e todos os membros da shura juraram fidelidade, afirma um comunicado divulgado pelos talibãs.
Habatullah terá dois auxiliares, o mulá Yacub, filho do mulá Omar, fundador dos talibãs, e Sirajuddin Haqqani, chefe da rede insurgente de mesmo nome, um grande aliado dos talibãs.
Analistas apontavam os dois como possíveis candidatos à liderança suprema, mas, de acordo com fontes talibãs, Yacub se negou a assumir o comando por ser muito jovem e Haqani alegou "motivos pessoais".
De acordo com uma fonte talibã, Habatullah Akhundzada teria sido designado como sucessor pelo próprio Mansur.
De acordo com o analista paquistanês Rahimulah Yusafzai, a sucessão "representa o status quo". "Levará adiante a mesma política do mulá Mansur. Não negociará", disse.
Para outro analista, Amir Rana, a idade de Habatullah foi determinante.
"É um dos mais idosos e mais experientes. Foi eleito para acabar com todas as dissidências".
O novo líder talibã é considerado "um partidário das negociações de paz, mas não pode fazer nada sem o consenso da shura", completou Rana.
A era Mansur, sucessor de Omar, durou apenas 10 meses. O período foi caracterizado pela intensificação das ofensivas militares e a multiplicação dos atentados, principalmente em Cabul.
O governo dos Estados Unidos teria decidido eliminar Mansur por sua postura belicosa.
Ao confirmar sua morte, o presidente americano Barack Obama fez um apelo aos talibãs para que "aproveitem esta oportunidade para iniciar o processo de reconciliação com o governo afegão, como o único caminho real para acabar com conflito".
A morte de Mansur é "uma etapa importante em nossos esforços (...) para trazer a paz e a prosperidade ao Afeganistão", completou.
No comunicado desta quarta-feira, os talibãs prestaram homenagem a Mansur, que "caiu como mártir, vítima de um disparo de drone americano".
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