(22 jan) Manifestação em Ramallah pela libertação do jornalista (22 jan) Manifestação em Ramallah pela libertação do jornalista

O Supremo Tribunal israelense decidiu nesta quarta-feira manter na prisão o jornalista palestino Mohamed al-Qiq, em greve de fome há 63 dias.

A máxima instância judicial israelense, consultada pelo advogado do prisioneiro, indicou que acompanhará sua evolução e que tomará uma decisão sobre a prisão de acordo com o estado de saúde do prisioneiro.

Segundo seu advogado, Al-Qiq pode morrer a qualquer momento.

"Sua saúde é muito ruim. Ele pode morrer a qualquer momento", disse Jawad Boulous à AFP na segunda-feira, depois de visitar Mohammed al-Qiq no domingo.

Saeb Erekat, secretário-geral da Organização de Libertação da Palestina (OLP), informou à AFP que considera o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu "pessoalmente responsável pela vida de Mohammed al-Qiq".

Qiq, de 33 anos, um repórter do canal saudita Al-Majd, casado e pai de duas filhas pequenas, foi colocado em meados de dezembro em detenção administrativa, um regime que permite a prisão sem acusação ou julgamento por períodos de seis meses, renováveis indefinidamente.

Ele foi preso em 21 de novembro em sua casa em Ramallah, sede da Autoridade Palestina na Cisjordânia ocupada.

O Shin Beth, a segurança interna de Israel, acusa o jornalista de ser um membro ativo da organização islamita palestina Hamas, considerada terrorista por Israel.

Em 25 de novembro, ele iniciou uma greve de fome para denunciar a "tortura" e "abusos" sofridos na prisão.

Em meados de dezembro, ele foi transferido para a ala hospitalar da prisão de Ramle, perto de Tel Aviv, e em 30 de dezembro ao hospital de Afula (norte).

A situação de Mohammed al-Qiq pode fazer com que as autoridades israelenses enfrentem o mesmo quebra-cabeça vivido em 2015 com outro prisioneiro palestino em greve de fome, Mohammed Allan.

Este último, apresentado pela Jihad Islâmica como um dos seus, ficou detido sob detenção administrativa, realizando uma greve de fome de cerca de 60 dias, desafiando as autoridades israelenses, presas no dilema entre o desejo de não não curvar-se aos prisioneiros e o risco de aumentar a violência em caso de morte do prisioneiro.

O caso se tornou ainda mais complexo pela adoção de uma nova lei, em julho de 2015, para lidar com tais situações e permitir alimentar um prisioneiro de maneira forçada.

A prática esbarra na forte resistência dos médicos, indispensáveis para tal implementação.

Após quase morrer em uma greve de fome, Mohammed Allan foi finalmente libertado por Israel em 5 de novembro de 2015.

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