Em seu relatório, a ONU afirma que, "segundo fontes confiáveis, as autoridades permitem que grupos aliados estuprem as mulheres como forma de pagamento", seguindo o princípio do "façam o que puderem e tomem o que quiserem".
"A escala e o tipo de violências sexuais - que geralmente são cometidas pelas forças governamentais do Exército Popular de Libertação do Sudão e por suas milícias afiliadas - são descritos com detalhes terríveis, assim como a atitude - quase casual, mas calculada - daqueles que massacraram civis e destruíram bens e meios de subsistência", afirma Zeid Ra'ad al Hussein.
O Sudão do Sul, que se tornou independente do Sudão em julho de 2011 após décadas de conflito com Cartum, encontra-se afundado em uma guerra civil desde dezembro de 2013, quando o presidente Salva Kiir acusou seu ex-vice-presidente, Riek Machar, de querer derrubá-lo.
Mais de 2,3 milhões de pessoas precisaram abandonar seus lares e dezenas de milhares morreram devido ao conflito e às atrocidades cometidas por ambos os grupos.
O relatório da ONU contém relatos sobre pessoas, incluindo crianças e deficientes físicos, que foram assassinadas, queimadas vivas, asfixiadas em contêineres, executadas, penduradas ou cortadas em pedaços.
"Diante da amplitude, da profundidade e da gravidade das acusações, da repetição e das similaridades observadas no modo de operação, o informe conclui que existem motivos razoáveis para crer que estas violações podem ser consideradas crimes e guerra e/ou crimes contra a humanidade", disse o Alto Comissário da ONU.
Segundo as Nações Unidas, "a grande maioria das vítimas civis não parecem ser o resultado dos combates, mas de ataques deliberados contra civis".
Para a ONU, "os atores estatais têm a maior responsabilidade pela violência cometida em 2015, diante do enfraquecimento das forças da oposição".