Segundo a ONU, cerca de 600.000 pessoas vivem em 19 zonas ou localidades sitiadas, principalmente por tropas do regime, e cerca de quatro milhões em zonas de difícil acesso. Muitas delas sofrem de desnutrição.
As Nações Unidas tinham solicitado o acesso a 34 zonas sitiadas ou de difícil acesso, mas Damasco só o autorizou em 23 delas, das quais 12 estão sitiadas.
"Precisamos de uma autorização de todo o plano de acesso humanitário de junho", avaliou Stephen O'Brien, chefe de operações humanitárias da ONU.
A França, que preside o Conselho de Segurança para o mês de junho, havia pedido poucas horas antes para que a Rússia pressione seu aliado sírio para facilitar o acesso da ajuda humanitária por via rodoviária, sendo esta a maneira mais eficaz de prestar ajuda segundo as Nações Unidas.
Diplomatas também informaram nesta sexta-feira que a ONU pedirá no domingo a aprovação do regime sírio para levar ajuda por via aérea.
As grandes potências tinham acordado no mês passado que, se a ajuda humanitária continuasse a ser bloqueada, a ONU passaria a lançar ajuda por via aérea a partir de 1º de junho.
Mas o vice-enviado especial da ONU para a Síria, Ramzy Ezzeldin Ramzy, afirmou na quinta-feira em Genebra que a ajuda por via aérea não é "iminente", dada a complexidade da operação em um país em guerra e a necessidade de ter a aprovação do regime.
"Deveria haver uma partilha da ajuda nos locais onde o acesso por estrada não está autorizado", estimou nesta sexta-feira o embaixador britânico da ONU, Matthew Rycroft.
A guerra na Síria causou 280.000 mortes desde o seu início, há mais de cinco anos, e forçou mais da metade da população a deixar suas casas.
O processo de paz agoniza desde a renúncia, no domingo, do negociador-chefe da oposição síria, Mohamed Alus, que denunciou os bombardeios contínuos do regime de Bashar al-Assad sobre as áreas rebeldes e a "incapacidade da comunidade internacional em fazê-lo aplicar suas resoluções, especialmente no que diz respeito ao aspecto humanitário".