Em uma sessão que pode durar várias horas, a votação sobre o destino de Dilma Rousseff deve acontecer somente à noite.
A oposição afirma que tem a maioria simples de 41 votos para aprovar o processo e afastar do poder por seis meses a primeira mulher que chegou à presidência do Brasil, antes de adotar uma decisão definitiva.
O impeachment de Dilma um processo "longo e traumático", afirmou pouco antes do início da sessão o presidente do Senado, Renan Calheiros, que disse ter esperado que o caso "não chegasse ao Senado federal".
No início da sessão, ele insistiu que o processo "coloca uma enorme responsabilidade sobre o Senado", pois "decidiremos sobre o afastamento ou a permanência no poder da presidente Rousseff, que foi eleita pelo voto".
Calheiros pediu "serenidade e espírito público" aos senadores.
Pouco antes do início da sessão, o papa Francisco pediu diálogo no Brasil diante da crise política atravessada pelo país, ao término da audiência geral desta quarta-feira na praça de São Pedro.
"Ao saudar vocês, peregrinos brasileiros, o meu pensamento vai a sua amada nação. Nesses dias em que nos preparamos para Pentecostes, peço ao Senhor que derrame abundantemente os dons do Espírito Santo para que, nesses momentos de dificuldade, o país siga pelo caminho da harmonia e da paz com a ajuda da oração e do diálogo", declarou o Papa argentino.
O pontífice argentino improvisou estas palavras ao se dirigir aos fiéis brasileiros que acompanhavam a audiência.
"Que a proximidade de Nossa Senhora Aparecida, que, como uma boa mãe jamais abandona seus filhos, seja defesa e guia no caminho", acrescentou.
"Golpe moderno"
As projeções da imprensa mostram que a oposição já tem votos suficientes para afastar temporariamente a presidente Dilma Rousseff, uma ex-guerrilheira de 68 anos que governa o país desde 2011 e que acusa o vice-presidente Michel Temer de orquestrar um "golpe moderno" contra ela.
A presidente alega que governos anteriores praticaram as mesmas manobras fiscais e que ela não cometeu nenhum "crime de responsabilidade", um acusação que pode ser punida com o impeachment segundo a Constituição.
Temer, ex-aliado que Dilma acusa de traição, assumirá a presidência de forma interina e a presidente for afastada do cargo. E se Dilma for declarada finalmente culpada após seis meses de julgamento, Temer governará o país até 2018.
A Câmara dos Deputados aprovou o impeachment em abril por grande maioria.