Seguranças revistam pessoas na entrada do Stade de France, em Saint-Denis, no dia 6 de fevereiro de 2016 Seguranças revistam pessoas na entrada do Stade de France, em Saint-Denis, no dia 6 de fevereiro de 2016

Ainda traumatizado três meses depois dos atentados de Paris, um segurança marroquino que trabalhava no Stade de France no dia 13 de novembro afirmou nesta quarta-feira diante de uma comissão parlamentar de inquérito ter "evitado uma carnificina" ao impedir um jihadista de entrar no estádio.

Na hora de fazer seu relato diante de cerca de vinte deputados franceses, Omar Dmoughi parece intimidado, e as frases não saem com fluidez.

O marroquino de 32 anos interrompe a fala várias vezes para retomar o fôlego, e contar como viveu o dia fatídico, que deveria ter sido "um dia como os outros". Um dia de amistoso de futebol, entre França e Alemanha.

"Na fila de torcedores, vi um jovem de no máximo 23 ou 24 anos, me encarar fixamente, olhos nos olhos. No início, pensei que fosse um policial a paisana", descreve o segurança.

Na verdade, Dmoughi está diante de um dos três terroristas que se explodiram nos arredores do estádio.

Quando a primeira explosão acontece, o segurança não vê nada, mas ouve "a polícia falar que é um atentado".

As forças de segurança saem em disparada rumo ao local da explosão, deixando Omar "sozinho". "Não tinha ninguém", lembra o marroquino aos deputados.

"O jovem, que estava usando calça jeans e casaco preto, estava se mexendo o tempo todo, andando de um lado para o outro perto do portão do estádio", explica o segurança, que estava justamente postado naquela entrada.

"Ele tentou entrar de novo, e eu disse: 'Pare!' Aí, ele deu dois passos para trás e se explodiu", conta.

"Evitei uma carnificina", resume Dmoughi.

Depois do trauma, o marroquino é levado ao hospital, mas recebe alta pouco depois. "Falaram que eu tinha que voltar uma semana depois se tiver problema. Não cuidaram bem de mim", denuncia.

Omar não consegue tirar da cabeça "esta pessoa, de tipo europeu, que me pedia ajuda" depois da segunda explosão. "Não pude ajudá-lo, porque não conseguia mexer as pernas", lamenta.

O homem em questão morreu cinco minutos depois. "Vejo ele o tempo todo. Vejo ele quando eu durmo. Agora mesmo, vejo ele", se emociona o segurança.

O trauma levou Omar Dmoughi a ser internado em hospital psiquiátrico. "Não estou bem, estou estressado demais. Fico rangendo o dente até sangrar", descreve.

O visto temporário do Marroquino vence no dia 29 de fevereiro. "Ainda não entendo se sou ou não uma vítima", conclui Omar, pai de uma menina "francesa".

No dia 13 de novembro, os atentados deixaram 130 mortos e centenas de feridos, para um total de 4.000 vítimas, físicas ou psicológicas.

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