A quatro pontos do líder Barça na Liga (com um jogo a mais que o arquirrival catalão) e eliminado na justiça esportiva na Copa do Rei por escalar um jogador irregular, o Real Madrid vê na Champions sua única chance de salvar um ano até agora decepcionante.
O nome de Zidane está envolvido, direta ou indiretamente, aos últimos títulos do Real nesta competição: sendo o melhor jogador da equipe na conquista da 'Taça Orelhuda' em 2002 e como assistente do técnico Carlo Ancelotti em 2014, a famosa 'Décima'.
A Liga dos Campeões "tem um sabor especial", admitiu Zidane após a vitória do Real (4-2) neste fim de semana contra o Athletic Bilbao, pelo Campeonato Espanhol.
"Vai ser especial para o clube e para mim. Conhecemos a nossa história com a Liga dos Campeões", insistiu o ex-craque na entrevista coletiva desta terça-feira.
Se para os franceses Zidane será sempre lembrado como a figura principal da seleção campeão do mundo em 1998, para os torcedores merengues o ex-camisa 5 será eternamente querido pelo incrível voleio sem pulo, na final da Liga dos Campeões de 2002 contra o Bayer Leverkusen, que deu a vitória ao gigante da capital espanhola (2-1).
- Da 3ª divisão à Champions -
A Roma será a adversária na estreia com técnico no cenário europeu de Zidane, que há pouco menos de dois meses treinava o Castilla, filial do Real Madrid, na 3ª divisão espanhola.
Nas seis partidas como técnico da primeira equipe merengue, Zidane venceu cinco partidas e empatou uma, vendo sua equipe marcar 23 gols e sofrer apenas cinco. O que os torcedores comemoram mesmo, porém, é o fato de 'Zizou' ter implementado um estilo de jogo alegre e ofensivo, algo que seu antecessor, Rafa Benítez, não soube fazer.
"Foi um grande jogador e agora é um bom técnico que traz muito à equipe, muita confiança e muito jogo, é algo muito bom para nós. Eu aprendo todos os dias com ele", elogiou o compatriota Karim Benzema, na segunda-feira. "É alguém próximo aos jogadores, ele gosta de conversar com a gente", concordou o também francês Raphaël Varane.
Zidane, porém, garante não temer o que o futuro reserva a sua equipe: "Estamos prontos. Temos vontade de fazer algo importante nesta competição e vamos lutar por isso".
A dúvida agora é se Zidane conseguirá armar o time com este mesmo estilo de jogo contra a Roma, uma equipe que também trocou de técnico recentemente devido aos maus resultados, substituindo o francês Rudy Garcia pelo veterano Luciano Spalletti, que treinava a equipe romana quando Totti e companhia eliminaram o Real Madrid nas oitavas de final da Champions em 2007-2008 (2-1, 2-1).
Spalletti, aliás, se mostrou um grande admirador de Zidane. "Tenho certeza que grandes jogadores podem virar grandes treinadores. Ele tinha esse dom, não precisa aprender. Com certeza conseguirá passar tudo isso a seus jogadores", elogiou.
Para o importante duelo na capital italiana, Zidane terá a disposição força máxima, com exceção do atacante galês Gareth Bale, que se recupera de uma lesão na coxa. Sem ele, o ataque deverá ser formado por Cristiano Ronaldo e Benzema, com o colombiano James Rodríguez reforçando o meio de campo ao lado de Modric, Isco e Kroos. O lateral-esquerdo brasileiro Marcelo, recuperado de lesão, deve voltar à equipe.
Zebras duelam na Bélgica
Na partida de menor destaque desta quarta-feira, o Gent, revelação da fase de grupos e penetra nas oitavas de final, busca realizar outra façanha contra o Wolfsburg.
Depois de sobreviver num grupo com equipes tradicionais como Lyon e Valencia, os 'Búfalos' terão que ir contra a lei da natureza e derrotar os 'Lobos' alemães, favoritos a ficar com a vaga nas quartas.
"Sonhávamos enfrentar Real Madrid, Barcelona ou Bayern, o que seria uma bela recompensa depois de nossa surpreendente campanha", afirmou o confiante meia do Gent Sven Kums. "Seria uma pena ter percorrido todo este caminho para sermos eliminados pelo Wolfsburg".
Apesar do favoritismo, o Wolfsburg, que também se tornou zebra nas oitavas ao eliminar o poderoso Manchester United na fase de grupos, vive péssima fase no Campeonato Alemão, com quatro derrotas e três empates nas últimas oito partidas.
"É possível que iremos enfrentar o Wolfsburg na hora certa, então podemos sonhar com a classificação", declarou o técnico do Gent, Michel Louwagie, que acredita que chegar às quartas de final seria importante para dar mais popularidade a uma equipe que a Europa não conhecia há apenas cinco meses.