Além disso, 4,6 milhões moram em zonas "dificilmente acessíveis", segundo o Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU (OCHA).
Quais são as regiões sitiadas?
- Os cercos impostos pelo regime:
São registrados principalmente nos subúrbios da capital, Damasco. As localidades mais afetadas são Duma, Erbin e Zamalka, na região de Ghuta oriental, assim como Muadamiyat al Sham, na Ghuta ocidental, todas controladas pelos rebeldes.
Nesta província há outras duas localidades sitiadas: Madaya e Zabadani, nas quais foram reportados casos de morte por fome.
Os militantes acusam o regime de Bashar al Assad de recorrer aos cercos para forçar os rebeldes a depor as armas. Em alguns casos, os cercos foram suspensos ou aliviados totalmente durante as tréguas.
Por exemplo, a cidade de Muadamiyat al-Sham foi sitiada no começo de 2013, mas um ano depois, graças a uma trégua, as condições melhoraram. Em janeiro, no entanto, a ONU voltou a qualificá-la como cidade sitiada, devido à falta de alimentos pelas novas restrições impostas pelo regime.
- Os cercos impostos pelos rebeldes:
Os insurgentes usam a tática do cerco contra as localidades xiitas de Nebol e Zahra, na província de Aleppo (norte), e as de Fua e Kafraya, na de Idleb (noroeste).
Tentaram vincular a situação de Fua e Kafraya à de Zabadani e Madaya, exigindo que se a ajuda for entregue às localidades favoráveis ao regime se faça o mesmo com as rebeldes.
Os insurgentes islamitas, inclusive os do braço da Al-Qaeda na Síria, a Frente al Nosra, cercam desde 2014 a cidade de Afrin, na província de Aleppo, não conseguem arrebatar os curdos.
- Os cercos impostos pelo EI:
O grupo jihadista sitia desde janeiro de 2015 a cidade de Deir Ezor, no leste da Síria, onde vivem mais de 200 mil pessoas.
A organização extremista controla a maioria da província de mesmo nome e cerca os bairros da cidade que continuam em mãos do exército.
Ao contrário dos rebeldes, o regime conseguiu entregar ajuda de aviões às regiões que controla, como Deir Ezor, Fua e Kafraya.
Aonde chegou a ajuda?
A ajuda chegou com uma frequência irregular a várias zonas sitiadas, mas as ONGs afirmam que o acesso permanece insuficiente.
Os comboios de caminhões carregados de alimentos, remédios e cobertores entraram em Madaya, Fua e Kafraya em várias ocasiões em janeiro. Mas, segundo a organização Médicos sem Fronteiras, pelo menos 16 pessoas morreram em Madaya desde meados de janeiro, apesar desta ajuda.
O fornecimento de ajuda é um processo imprevisível, com anulações de comboios na última hora devido à retirada da autorização ou à retomada dos combates.
Devido a estes obstáculos, a ONU só pôde socorrer no ano passado menos de 10% dos civis em localidades "dificilmente acessíveis" e 1% dos assediados.
Como a comunidade internacional reage?
O Conselho de Segurança da ONU pediu em várias ocasiões um acesso humanitário sem condições na Síria e a suspensão de todos os cercos, sobretudo em sua resolução mais recente, a 2254.
A oposição síria exigiu que esta resolução se aplique antes de participar das negociações atuais organizadas pela ONU em Genebra.