Trinta outras pessoas morreram nas proximidades de um santuário xiitas ao sul de Damasco em pelo menos três ataques.
Neste contexto e apesar dos fracassos dos esforços anteriores para instaurar um cessar-fogo, o secretário de Estado John Kerry anunciou em Amã "um acordo provisório" com a Rússia sobre os termos de uma trégua que "poderia começar nos próximos dias".
A multiplicação de protagonistas, as profundas divisões internacionais e a ascensão dos grupos jihadistas Estado Islâmico (EI) e Frente Al-Nosra, minam os esforços para uma resolução do conflito sírio, que em cinco anos fez mais de 260.000 mortos e forçou ao exílio mais da metade da população.
Além dos violentos combates em todas as frentes entre os vários beligerantes, um duplo atentado com carro-bomba atingiu neste domingo o bairro Al-Zahra, em Homs, fazendo 57 mortos e dezenas de feridos, a maioria civis, de acordo com Observatório Sírio dos Direitos Humanos direitos (OSDH).
O EI indicou em um comunicado que o duplo ataque foi realizado por dois de seus membros conduzindo "dois carros-bomba que visaram locais com grande concentração de pessoas" no bairro de Al-Zahra, cuja população é predominantemente alauíta, comunidade minoritária à qual pertence o presidente sírio Bashar al-Assad.
Trata-se do pior atentado na cidade desde outubro de 2014, quando 55 pessoas, incluindo 49 crianãs, morreram em frente a uma escola.
Poucas horas depois, ao menos 30 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas em uma série de atentados próximos a um santuário xiita ao sul da capital Síria, Damasco, informaram a televisão pública e uma ONG.
A televisão estatal deu um saldo de 30 mortos em três atentados, um deles com carro-bomba, cometidos por suicidas.
"Os atentados coincidiram com a saída de uma escola, por isso morreram vários alunos", informou a televisão.
No final de janeiro, ao menos 70 pessoas morreram em um triplo atentado perto deste mesmo santuário, ataque que havia sido reivindicado pelo grupo Estado Islâmico (EI).
Sayeda Zeinab é um importante santuário xiita e abriga o mausoléu de uma das netas do profeta Maomé.
À espera de Obama e Putin
Em outras frentes, os combates prosseguiam entre a forças do regime e os rebeldes, além de outros confrontos entre as forças curdas e jihadistas, ou ainda rebeldes e jihadistas.
Na província de Aleppo (norte), as forças do regime conseguiram avançar com o apoio fundamental da aviação russa e do Hezbollah libanês.
Ao menos 50 jihadistas do EI foram mortos nos combates com o exército.
A estes atores, soma-se o envolvimento militar de grandes potências no conflito: a Rússia apoia o regime com a sua aviação e a coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos bombardeia o EI. E na semana passada, a Turquia iniciou ataques aéreos contra as forças curdas sírias perto da fronteira.
Esta situação muito complexa dificulta a aplicação de um acordo que seja acordado por todas as partes, apesar dos esforços da ONU e especialmente dos Estados Unidos.
Neste domingo, antes de uma reunião com o rei Abdullah da Jordânia, Kerry anunciou durante uma coletiva de imprensa em Amã que voltou a falar ao telefone com seu colega russo, Sergei Lavrov.
"Ainda não está concluído, mas espero que os nossos presidentes, o presidente (Barack) Obama e o presidente (Vladimir) Putin, possam conversar nos próximos dias para tentar completar este trabalho", acrescentou Kerry.
Contudo, Moscou anunciou no sábado que continuará a ajudar o regime do presidente Bashar al-Assad a combater os "terroristas".
"Estamos mais perto hoje de um cessar-fogo", assegurou o chefe da diplomacia americana, que negocia há vários dias com Moscou para a implementação deste componente do acordo internacional concluído em Munique, em 11 e 12 de fevereiro.
Kerry e Lavrov são os principais arquitetos do Acordo de Munique do Grupo Internacional de Apoio à Síria (ISSG), sob o qual 17 países e três organizações multilaterais concordaram com a "cessação das hostilidades" na Síria em princípio a partir de sexta-feira, 19 de fevereiro, mas os combates continuaram.
Com o regime considerando difícil a implementação do cessar-fogo, a oposição impondo condições quase inatingíveis e grupos jihadistas fora de controle, é difícil conceber uma trégua.