Na sexta-feira, Ismail Haniyeh, chefe do movimento islamita Hamas, que governa a Faixa de Gaza, afirmou que "não convocam" uma nova guerra e que há uma mediação em andamento, com o apoio do Egito, que auspiciou o último cessar-fogo em 2014.
Por sua vez, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, se encontra sob pressão diante da iminente publicação de uma auditoria sobre sua atuação nesta última guerra, um documento que, segundo a imprensa, é muito desfavorável a ele.
Apesar de insistir que não desejam uma escalada militar, os dois grupos se reservam o direito de réplica. Haniyeh, cujo movimento islamita conta com um braço armado de 20.000 a 30.000 homens, advertiu que responderá a qualquer incursão de tropas israelenses na Faixa de Gaza.
E o exército israelense, embora afirme que não tem "nenhum interesse em uma escalada militar", diz estar determinado a combater "o plano diabólico do Hamas de querer se infiltrar nas comunidades israelenses".
Os túneis, centro do conflito
O exército israelense, em busca de túneis que sirvam aos combatentes palestinos para se infiltrarem em Israel, mobilizou impressionantes perfuradoras ao longo da fronteira com Gaza, e realiza escavações em uma faixa de 100 metros ao longo de sua fronteira com o território de Gaza.
As autoridades militares já anunciaram a descoberta de dois túneis, que foram inutilizados. Erradicar esta rede subterrânea era o principal objetivo de Israel durante a guerra de 2014, e o fracasso nesta ação é um dos pontos sobre os quais o controlador do Estado se pronunciará neste sábado.
Em Gaza, onde milhares de famílias seguem sem poder reconstruir suas casas depois de três guerras que devastaram o enclave palestino desde 2008, o ambiente era febril: os habitantes armazenavam alimentos e tentavam enfrentar um novo período difícil neste pequeno território submetido a penúrias de forma crônica pelo bloqueio israelense que já dura uma década.
Na noite de sexta-feira, um novo drama ilustrava os riscos das precárias instalações no enclave, que sofre contínuos cortes de água e eletricidade, que podem durar até 18 horas por dia: no campo de refugiados de Chati, três crianças de quatro a seis anos, morreram quando a vela que utilizavam para iluminar sua casa provocou um incêndio, segundo fontes médicas e bombeiros de Gaza.
Às dificuldades da vida cotidiana se soma agora o medo dos bombardeios aéreos israelenses, cotidianos desde quarta-feira e que voltaram a ocorrer no amanhecer deste sábado.