Desde o começo da intervenção militar russa na Síria, em 30 de setembro, os países ocidentais e as ONGs acusam a Rússia de tomar como alvo a oposição a seu aliado, o presidente Bashar al Assad, e não os jihadistas do EI.
"Com os bombardeios, apoiamos os esforços (da oposição) na luta contra o EI como também apoiamos os do exército sírio", declarou Putin em sua coletiva de imprensa anual.
"Era a ideia de (presidente francês) François Hollande tentar reunir os esforços do exército sírio e de ao menos uma parte da oposição armada na luta contra o EI. Conseguimos isso em parte", afirmou.
Segundo Putin, Moscou está em contato na Síria com integrantes da oposição "que querem combater o EI e que o estão fazendo".
Contudo, o secretário de Estado americano, John Kerry, expressou na quarta-feira em Moscou sua preocupação com os ataques russos contra a oposição.
Há vários dias, o Kremlin e o ministério russo da Defesa anunciam uma ajuda militar para aqueles que os aviões bombardeavam até então.
Neste sentido, o ministério da Defesa assegurou na terça-feira que o exército russo coordenava a sua ação na Síria com uma força de 5.000 homens divididos em 150 grupos da "oposição moderada e patriótica".
Os militares russos evocaram grupos do Exército Sírio Livre (ESL), o principal grupo armado moderado na Síria, bem como o que parece ser uma coalizão de forças árabes e curdas que combatem os jihadistas no nordeste do país.
Na quarta-feira, a Coalizão de oposição síria, a principal formação da oposição no exílio, negou qualquer ajuda militar da Rússia ao ESL, que combate o exército de Assad. Em contrapartida, acusou os curdos de cooperar com o exército russo.
Aproximação
A questão síria retorna à mesa de discussão na sexta-feira em Nova York, que é parte do chamado processo de Viena, em que 17 países, incluindo a Rússia e o Irã, principais apoios da Assad, concordaram em 4 de novembro com um roteiro político para a Síria.
O documento, que prevê uma reunião entre representantes da oposição e do regime até 1º de janeiro, a formação de um governo de transição em seis meses e eleições antes de 18 meses, foi tachado de "pouco realista" por alguns opositores.
O objetivo do encontro de segunda-feira era buscar "passos concretos" para aplicar um cessar-fogo e abrir caminho para a ajuda humanitária, explicou o ministro alemão das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, em Paris.
Na semana passada, grupos da oposição síria, reunidos em Riad, anunciaram estar de acordo com uma negociação com o regime de Assad.
"Houve certos progressos, inesperados para a maioria de nós. O acordo da oposição sobre alguns princípios é animador para o processo de Viena, que é a única opção para acabar com cinco anos de guerra na Síria", destacou Steinmeier.
A oposição insiste, porém, na necessidade de que Assad se retire com o início de um eventual período de transição, o que é rejeitado por Damasco e por seus aliados.
O passo seguinte é designar 15 figuras da oposição para se reunir com o governo sírio, explicou uma fonte diplomática francesa.
O bloco opositor nomeará seus líderes na sexta-feira, que se encarregarão de designar a delegação.
Admiração
Putin também surpreendeu a comentar a admiração que sente por duas figuras polêmicas.
O presidente russo disse que o presidente da Fifa, Joseph Blatter, suspenso de maneira provisória por suspeitas de corrupção, merece o Prêmio Nobel da Paz por seu trabalho "colossal" no campo humanitário.
"Sua contribuição na esfera humanitária tem sido colossal (...) É alguém que deveria receber o Prêmio Nobel da Paz", declarou Putin ao falar sobre Blatter.
O comentário é feto no momento em que a Fifa enfrenta uma série de denúncias, em parte relacionadas com a atribuição da sede da Copa do Mundo de 2018 à Rússia.
Por outro lado, declarou que o multimilionário americano Donald Trump é um homem brilhante, talentosos e, sem dúvida alguma, um líder absoluto da campanha presidencial dos Estados Unidos.
"Ele diz que deseja outro nível de relações, de relações mais estreitas, mais profundas, com a Rússia. Como não parabenizar isso?", questionou Putin.
"Claro que parabenizamos", acrescentou, depois da coletiva realizada ante 1.400 jornalistas russos e estrangeiros.